<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241</id><updated>2011-12-06T18:04:14.057-08:00</updated><category term='socialismo'/><category term='ensaio'/><category term='capitalismo'/><category term='dinheiro'/><category term='serviço público'/><category term='moeda única mundial'/><category term='fracionário'/><category term='laboral'/><category term='novo sistema financeiro'/><category term='jam texto jam texto marrucho porto aliados'/><category term='pensamento'/><category term='leis laborais'/><category term='finanças'/><category term='justiça financeira'/><category term='economia'/><title type='text'>Texto</title><subtitle type='html'>Composições sobre muitas coisas das quais gosto.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-973451542550613161</id><published>2011-11-28T09:11:00.001-08:00</published><updated>2011-12-06T18:04:14.066-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='socialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='serviço público'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fracionário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='laboral'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finanças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novo sistema financeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='justiça financeira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leis laborais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moeda única mundial'/><title type='text'>Um novo sistema financeiro humanista e matematicamente viável</title><content type='html'>Há uns tempos, num texto &lt;a href="http://jamtexto.blogspot.com/2010/08/unidade-da-economia.html" target="_blank"&gt;A Unidade da Economia&lt;/a&gt;, expliquei porque é que o actual sistema financeiro não funciona. A conclusão mais forte que se pode retirar desse texto é que até aos dias de hoje o processo de emissão de moeda, assim como todo o sistema financeiro que a rodeia, tem sido trabalhado como um negócio. Os juros são o reflexo desta atitude e têm escravizado os estados. Concluiu-se também que as finanças têm que ser um sector tão sério e bem intencionado com a justiça ou a saúde.&lt;br /&gt;Para que o mundo saia do retrocesso civilizacional que o actual sistema impõe e conheça uma nova era de desenvolvimento os bancos vão ter que mudar de ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou propor um novo modelo financeiro. Assim, é com muita esperança e algum orgulho que aqui deixo uma nova ideia de sistema financeiro. Baseada em pressupostos humanistas e algumas equações entre emissões e recolha de moeda, que servem para manter o equilíbrio entre a economia e o ser humano. Quase todos os conceitos que servem de base a este sistema já existiam. Os custos laborais, a pegada ecológica quantificável, o lucro, as taxas, administração pública, administração privada, empréstimos, etc... no entanto, aqui, como em muitos países muçulmanos, não existem juros...&lt;br /&gt;À partida, há dois conceitos novos: o conceito de servidor central legislado e o conceito de dinheiro morto. Enquanto o primeiro é fácil de entender o segundo parece mais estranho. Mais adiante se perceberá melhor o porquê destas duas ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra novidade neste sistema é que a emissão da moeda não é feita baseada no investimento em mercados de títulos de dívida... sempre que um Estado ou um Banco quer ou pede. A moeda é emitida para pagar os ordenados. Também pode ser emitida moeda para fazer empréstimos mas este sistema financeiro não permite juros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4KkKktFow0g/TtPJS71T8CI/AAAAAAAAAyw/Vu6NATS2LRU/s1600/desenhito+copy.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="420" src="http://4.bp.blogspot.com/-4KkKktFow0g/TtPJS71T8CI/AAAAAAAAAyw/Vu6NATS2LRU/s640/desenhito+copy.jpg" width="540" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sistema têm como principal motor compensação da força laboral mas (e isto também é novidade) pode responsabilizar os trabalhadores pelos custos laborais desperdiçados por negligência ou quando requisitados de modo fraudulento. O dinheiro apenas desaparece do mercado quando os empréstimos são devolvidos ao servidor e quando uma determinada unidade monetária (cada unidade monetária têm uma referência única) fica parada durante muito tempo. É este o conceito de dinheiro morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sistema depende de uma informatização e referenciação completa da moeda, para que a fraude possa ser detectada, provada e desfeita. Parte-se do princípio que a moeda é a unidade de medida da economia e que tem valor fixo. Portanto não é transacionável por outas moedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo o mesmo esquema mas mais detalhado (clique para ampliar):&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-7vseUTnCDws/TtPNN25ishI/AAAAAAAAAy4/Jl0WE2vAGzk/s1600/Sistema_financeiro_sutentavel.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-7vseUTnCDws/TtPNN25ishI/AAAAAAAAAy4/Jl0WE2vAGzk/s640/Sistema_financeiro_sutentavel.jpg" width="540" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este modelo permite:&lt;br /&gt;· o aumento dos ordenados mínimos&lt;br /&gt;· baixar os impostos sobre o rendimento&lt;br /&gt;· estabelecer uma relação directa entre a necessidade de dinheiro e o número de trabalhadores activos&lt;br /&gt;· controlar a produção de acordo, não apenas com a lei da oferta e da procura, mas também de acordo com os recursos ecológicos de cada pessoa, empresa ou estado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este modelo exige:&lt;br /&gt;· a numeração das unidades monetárias (cada unidade monetária deve ser mapeável)&lt;br /&gt;· a responsabilização legal dos trabalhadores pelos seus próprios ordenados&lt;br /&gt;· a responsabilização legal dos administradores/gerentes por todos os recursos e investimentos da empresa/instituição (excepto os gastos com pessoal)&lt;br /&gt;· o estabelecimento de mínimos e máximos de custos/hora para cada trabalho/profissão&lt;br /&gt;· a definição de tectos salariais iguais para administração pública e privada&lt;br /&gt;· que a poupança seja permitida: cada pessoa pode pedir uma conta poupança ao servidor; cada empresa pode ter uma conta poupança cujo o valor deve ser estabelecido a partir de uma relação com o seu volume de negócios.&lt;br /&gt;· que a privacidade seja garantida e que os detalhes pessoais das compras e vendas (local do negócio, serviço ou bem negociado) apenas possam ser vistos pela justiça, em eventuais investigações.&lt;br /&gt;· a estratificação e definição do preço de um produto de acordo com custos laborais próprios / custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas / fornecimentos de serviços externos + mais lucro ou taxas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O servidor financeiro reduz a emissão de moeda quando a economia contrai (quando há menos trabalho e produção) ou quando o excesso de produção ameaçar a nossa presença neste planeta. Para isso recolhe moeda através:&lt;br /&gt;· de uma taxa ecológica, emitindo-a para um departamento público responsável pela eliminação dessa pegada. esta será uma taxa directamente proporcional ao dinheiro necessário para repor os danos causados pela pegada ecológica de cada negócio/produto/serviço. Isso é calculado a partir da raiz do processo produtivo de acordo com as emissões de CO2 necessárias na produção de um bem ou serviço. A pegada ecológica é cumulável nas transformações do produto, sendo calculável (ainda que por aproximação). A pegada ecológica deve estar denunciada na embalagem e obrigatoriamente reflectir-se-há no preço.&lt;br /&gt;· da recolha de empréstimos&lt;br /&gt;· da eliminação do dinheiro morto (que não é movimentado durante mais de 6 meses) impossibilitando a acumulação de riqueza &lt;i&gt;ad eternum&lt;/i&gt; e obrigando a activação da economia pela circulação do dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O servidor central injecta dinheiro através dos empréstimos e dos custos laborais, e recolhe dinheiro através da recolha de empréstimos, do dinheiro morto e das taxas ecológicas.&lt;br /&gt;A diferença entre a emissão de moeda e a recolha desta, é chamada de dinheiro funcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim:&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Custos laborais&lt;/b&gt; = Salários dos trabalhadores + Honorários de trabalhadores independentes contratados a termo&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Taxa Ecológica&lt;/b&gt; = Custos laborais directamente associados à eliminação de CO2 + Outros custos necessários para a eliminação de CO2)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dinheiro Funcional&lt;/b&gt; = (Custos Laborais + Emissão de Empréstimos) – (Taxa Ecológica + Dinheiro Morto + Recolha de Empréstimos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-973451542550613161?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/973451542550613161/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=973451542550613161' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/973451542550613161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/973451542550613161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2011/11/proposta-para-um-sistema-financeiro.html' title='&lt;b&gt;Um novo sistema financeiro humanista e matematicamente viável&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4KkKktFow0g/TtPJS71T8CI/AAAAAAAAAyw/Vu6NATS2LRU/s72-c/desenhito+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-4832583070467131339</id><published>2011-05-01T05:54:00.000-07:00</published><updated>2011-05-01T11:33:02.651-07:00</updated><title type='text'>Autoria e competência </title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Texto a ser publicado na revista &lt;a href="http://elpangrama.blogspot.com/"&gt;Pangrama.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou habituado a ouvir designers e clientes a usarem a expressão “design de autor” para descreverem a linguagem de pequenos ateliers, designers freelancers (como é o meu caso por exemplo) ou então para definirem o trabalho de grandes estrelas do design internacional (como a de Sagmeister, da Casa da Música). Além de serem trabalhos de design de comunicação, não me ocorre mais nenhum ponto que aproxime as duas realidades. Podemos dizer que o único factor comum a estas duas realidades, é que as pessoas conhecem ambos. Eu estou em crer que quase todo o design é de autor. Seja feito em empresas onde vários profissionais com especializações diferentes conseguem encontrar encanto no que fazem – &lt;i&gt;design de autores&lt;/i&gt; por assim dizer – ou apenas por uma pessoa que domine as várias fases do projecto. Por muitos motivos, incluindo a vergonha, a maior parte dos ateliers, não assina os trabalhos e assim se torna impossível atribuir sempre uma autoria ao desenho de uma peça de comunicação. E isto é muito grave. Estes trabalhos têm autores responsáveis, são feitos por pessoas com formação e talento que se vão esquecendo do que é comunicar e encantar. Estes trabalhos são abandonados sem assinatura, mas têm autores que, em primeira análise, podem ser considerados responsáveis pelo embaraçoso espaço público que temos em Portugal. Não se trata aqui de uma mera luta entre a alegria, a confiança, o orgulho num determinado trabalho e a dura realidade socio-económica. Trata-se de um estado de espírito imposto por pessoas medrosas e renitentes à mudança e sem exigência qualitativa. Figuras paternalistas, gestores, pessoas com mais experiência ou simplesmente pessoas tristes, e que vão relembrando os estagiários têm muito a aprender. A cena é que a história já não cola!... Se ao menos eles nos mostrassem alguma coisa com magia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é autoria que define a qualidade de um certo processo de design. É a construção do processo em si. E esta construção não depende só do designer. Em Portugal, o ensino do design não foca o design como um processo com fases bem definidas, ao contrário do ensino holandês cujos programas incidem quase sempre num determinado modelo de trabalho. Na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto por exemplo, é quase sempre pedido ao designer que crie e defina ele próprio o processo de trabalho. Se pensarmos na necessidade de flexibilidade e autonomia que um designer deve ter, Portugal estaria supostamente mais preparado para inovar, porque os jovens trabalhadores são livres e criativos. Infelizmente o mercado e as escolas esquecem-se de que mesmo 3 anos de licenciatura, mais 2 de mestrado, podem ser facilmente esquecidos com outros 5 anos de torturas laborais. Os designers, independentemente das suas capaciades, estão, em início de carreira desprotegidos aquando do confronto com realidades com diferentes temperamentos, porque não têm métodos e procedimentos próprios, ou simplesmente porque não os valorizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O design de autor deve ser sempre um processo novo, mas tem fases.&lt;br /&gt;Todos nós, designers e clientes, temos certezas. Mas, importa que estas sejam expostas nas fases certas do projecto. É que um processo de design de comunicação tem muito a ganhar quando numa fase inicial o cliente dá os dados mais certos. Normalmente o cliente expõe a situação e fornece as premissas para que o designer, com as competências que tem, possa conceber o processo de construção e/ou desenho da mensagem. O designer bem formado deve ter autoridade para tal, no entanto, e isto é muito importante, autoridade não é o mesmo que autoritarismo. Quando os clientes e os designers se referem ao design de autor este vem sempre minado pela ideia de que o autor é sempre a causa primária de uma ação. Ora um designer é sempre autor da mensagem mas só em casos especiais é a sua causa primária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto trabalhei em grandes agências de design e publicidade (quase dois anos) sempre me vi envolvido em processos em que desde a primeira conversa com o cliente até à chegada das premissas à minha mão havia sempre um tradução/interpretação por parte de um "gestor de conta" (este é um termo contabilístico que foi passando para o universo do design). E desde o momento em que o trabalho me saía das mãos até chegar ao cliente final, era comum ele voltar a ser avaliado por esse mesmo gestor de conta*, que muitas vezes apenas tinha formação em economia, ou gestão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;*Saiba-se que a esta aprovação se somava um debate com um designer sénior e, na maior parte dos casos, uma reunião com o director criativo, e às vezes com o próprio director da agência... lembro-me de um trabalho para um ministério que foi mediado por uma agência de comunicação exterior à nossa, que por sua vez também tinha uma estrutura de aprovações própria, e onde, na outra ponta da cadeia estava o Secretário de Estado, precedido pelas avaliações e aprovações do seu gabinete, somando um total de 18 pessoas com direito a uma opinião hierarquicamente superior à minha. Escusado será dizer que foi um dos trabalhos mais sofridos e angustiantes que fiz, e com um resultado muito, muito, mas mesmo muito fraco.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a minha ainda curta carreira como freelancer, tenho tido a sorte de trabalhar com clientes que clarificam muito bem quais as suas intenções e que mensagens têm a passar. Mais que isso, tenho tido a sorte de trabalhar com clientes que confiam o suficiente nas minhas faculdades enquanto designer de comunicação para me ouvirem, com atenção e abertura. E eu apresento-lhes propostas de desenho dos conteúdos que me fornecem. &lt;br /&gt;É produtivo quando um cliente já tem algumas certezas, no entanto, não existe nenhuma vantagem em contratar um designer de comunicação se não existir também um problema para resolver, se não existirem dúvidas.&lt;br /&gt;Exceptuando quando existe uma avença ou quando um designer integra os quadros de uma empresa (que não seja de design ou publicidade) os designers entram numa fase do processo em que o cliente já percebeu que tem um problema. Em todos os casos, para que algo de realmente pontenciador brote do processo, é conveniente rever juntamente com o cliente as premissas que estão a dar origem ao trabalho. &lt;br /&gt;Eu nunca tive de aconselhar um cliente a rever de novo a sua estrutura. No entanto já tive alguns casos (raros) em que o cliente trazia uma ou mais ideias erradas para o processo. Lembro-me de um caso, era eu ainda aluno do professor Mário Moura na Faculdade de Belas Artes, em que um cliente queria usar, numa revista de carácter literário com 300 páginas, um tipo de letra (Helvetica) sem serifas. Nem todos os tipos de letra sem serifas foram optimizados para facilitarem uma leitura corrida de grandes blocos de texto. Nessa situação optei por argumentar as razões pelas quais a Helvetica se revela frágil em grandes manchas de texto. O cliente trazia enraizada a ideia de que uma revista contemporânea não podia usar tipos de letra com serifas (as chamadas “perninhas à moda antiga”) e não foi fácil convencê-lo. Não foi na primeira reunião que o cliente ouviu o meu conselho, e acabei por ter que escrever um texto baseado nos conhecimentos adquiridos na academia, para o convencer.&lt;br /&gt;Isto tudo para dizer que o designer também deve ter certezas, dados concretos que justifiquem uma determinada opção. Não se chama a isto ser autoritário, chama-se a isto ter alguma autoridade, crédito concedido pelo cliente ao designer, que permite que o designer contribua, com o melhor das suas faculdades e competências, para a optimização da mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em design de comunicação, ser autor significa quase sempre ser (apenas e só, e já é muito) agente ou praticante de uma ação. Em casos mais raros, quando os designers produzem os próprios conteúdos, ser autor já pode significar ser a causa principal de uma ação. Em ambas as circunstâncias (autor-agente e autor-primordial) a competência deve estar presente. A competência, a meu ver, não diz directamente respeito ao contexto de uma certa proposta de trabalho. A competência é a capacidade que uma determinada pessoa, individual ou colectiva, tem para resolver um assunto de forma adequada.&lt;br /&gt;Para que a competência se revele no seu melhor, além das habilitações que um designer qualquer tenha para decidir e argumentar sobre o melhor tipo de letra, existem mais campos que ele deve conhecer: formas de hierarquização dos elementos, métodos de produção, suportes e meios (físicos ou digitais) entre outras questões técnicas que se somam à inteligência que o designer possa ter para tomar as melhores decisões em cada caso. Para que isto aconteça um cliente deve dar poder/responsabilidade/autoridade ao designer para que ele tome decisões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito raramente um projecto perde as suas bases mais sólidas sempre que envolve um designer de comunicação com autoridade. E, mesmo com todas as vantagens que a contratação de um grande gabinete possa trazer (velocidade de execução, multi-disciplinaridade, etc.), acontece que em longos circuitos humanos de montagem e desmontagem das mensagens, as fórmulas de trabalho e os procedimentos rotineiros, deterioram a mensagem. Infelizmente, ainda existe uma noção de fórmula, de procedimentos sobre a criatividade, uma ideia criada pelos modernistas, que vai fazendo estagnar as águas da comunicação. As boas decisões raramente vêm de fórmulas, porque apesar de ser possível resolver mensagens diferentes com as mesmas opções, a repetição vai criando uma espécie de apatia confortável no público a quem se tenta dirigir uma determinada mensagem, uma estupidificação confortável. Foi isso que aconteceu em Portugal e nos países do sul da Europa, e a fasquia foi descendo até assistirmos aos tristes espectáculos visuais da Sonae, das lojas Electro-Bimba (electrodomésticos no Fundão), os das Exponores e FILs, dos toldos sujos e placares luminosos fundidos em todas as ruas... É óbvio que atenção destes cleinte não está virada para as todas as subtilezas do design de comunicação, mas mesmo que estivesse, o problema cria-se com a falta de seriedade na construção deste processo a que chamamos design e não com o entendimento de composição, teoria da forma ou micro-tipografia.&lt;br /&gt;Para concluir, a meu ver, o design de pequenas estruturas e a competência podem andar de mão dada tantas ou mais vezes, do que o design de agência (o que não significa que não haja quase sempre designers competentes e bons em grandes estruturas). Independentemente de serem grandes ou pequenos ateliers, parece-me certo que o bom design só consegue acontecer quando os designers são realmente competentes e quando o clientes confiam neles. &lt;br /&gt;Assim como nem todos os pequenos ateliers estão preparados para assumir as responsabilidades que um universo gigantesco do design de comunicação lhes imputa, também é certo que em grandes estruturas, mesmo que a incompetência possa ser disfarçada por uma cadeia de “revisores”, infelizmente a excelência é a virtude que mais vezes se perde nesse caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-4832583070467131339?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/4832583070467131339/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=4832583070467131339' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/4832583070467131339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/4832583070467131339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2011/05/autoria-e-competencia.html' title='&lt;b&gt;Autoria e competência &lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-7499591808346415892</id><published>2010-08-21T11:51:00.000-07:00</published><updated>2011-11-28T09:18:11.980-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jam texto jam texto marrucho porto aliados'/><title type='text'>A unidade da economia</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Introdução&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho dos economistas que fazem previsões económicas tem-se revelado menos útil que o dos bruxos-adivinhos, dizem os especialistas. Por isso mesmo, sem qualquer formação económica, quando vi o filme &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=vm3DixfL9o0"&gt;Zeitgeist Addedum&lt;/a&gt; (no link podem ver um excerto) decidi fazer as minhas próprias contas. Ficámos todos surpreendidos quando de cabeça calculei que em 2013 assistiríamos a uma crise tão, ou mais grave que a de 1929. Eu nem queria acreditar. Ninguém queria acreditar… mas, ao mesmo tempo, ninguém conseguiu responder à questão: onde e quando, num mundo de livre circulação de capitais e de regrada produção de moeda, é criado o dinheiro para pagar os juros? Essa questão nunca teve resposta completamente acertada. Uma pessoa licenciada em gestão, que trabalha num banco, disse-me que essa fatia de lucro dos bancos vinha dos clientes que conseguiam, de um certo trabalho, tirar resultados para pagar os juros. Não fiquei convencido, porque os clientes apenas estão no meio de uma cadeia de troca e nunca podem produzir moeda. Assim, só se pode concluir que a quantidade de dívida existente é inevitavelmente maior que o dinheiro todo existente, e que essa dívida será perpetuada se nada mudar neste sistema financeiro. &lt;br /&gt;Hoje, estamos em Portugal, num sábado qualquer de Agosto e na segunda página do suplemento Economia do Expresso podemos ver um gráfico onde está sobreposta a evolução, durante o período de 20 anos, dos índices bolsistas das duas grandes derrocadas (a crise de 1929 e esta crise do século XXI) O que se registou entre 1912 e 1922 apresenta muitas semelhanças com o que se passou desde 2000 até aos dias de hoje... Considerando que duas situações com as mesmas características têm as mesmas consequências, enganei-me nas contas e ainda temos 6 anos até chegar “O Crash Financeiro”.&lt;br /&gt;Entre a altura em que vi o Zeitgeist e os dia da publicação deste texto tenho devorado todas as notícias sobre economia e finanças, fiz um curso intensivo de 350 horas de técnicas de apoio à gestão e tenho aproveitado todos os momentos a sós com vários amigos e conhecidos formados em Economia ou Gestão para conversar e aumentar o meu conhecimento. Confirmam-se as minhas piores suspeitas. Em poucos anos, nas conversas de café com os meus amigos, passei de optimista intratável para pessimista, mas parece-me, que estou em vias de ser promovido a realista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reformulação das crenças é algo de natural na evolução social, e os momentos de crise são sempre o ponto de partida para novos e mais largos horizontes. Algumas pessoas, numa situação de crise passam de uma situação de excesso de calma e passividade, para um estado de pânico ou depresssão. Este texto foi escrito para que o leitor saia dessa situação de dormência, pense um pouco sem radicalizar posições, e depois contribua com o que quiser para a construção de um mundo melhor.&lt;br /&gt;Caso haja alguma concretização das ideias que exponho, sinto-me na obrigação de afirmar que nunca o desespero resolveu coisa alguma. Para alguns, alguns excertos poderão ser de difícil entendimento. Outros, poderão detectar conclusões erradas e constações infundadas. Em qualquer um dos casos agradeço um contacto para que possa explicar melhor, ou melhorar e corrigir este documento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;© João Marco Martins Alves Marrucho, Agosto de 2010 (JAM TEXTO A UNIDADE DA ECONOMIA)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Princípios para uma reconstrução financeira global&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer aluno de primeiro ano de Gestão ou Economia sabe que a definição de uma empresa é uma pessoa colectiva (representação oficial de uma ou mais pessoas) que vende bens e/ou serviços com o objectivo do lucro. Todos os agentes económicos se regem por esta premissa. As Finanças (enquanto arte ou ciência) também funcionam segundo a procura do lucro e, à excepção dos Bancos Internacionais (como o Banco Central Europeu e a Fed), que são criações paralelas que deveriam funcionar em coordenação com os estados, cuja finalidade deveria ser também a da manutenção de um sistema económico saudável, todos os agentes financeiros perseguem pura e simplesmente a acumulação de riqueza. Isto é a regra base do capitalismo. É assim que é e não há nada a fazer quanto a isso. O lucro está para o capitalismo como o golo para o futebol. O dinheiro, esse, é a bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sucessão de falências, a falta de emprego, a falta de liquidez dos bancos dos países menos poderosos, a dívida dos estados, o agravamento do fosso económico entre indivíduos, têm sido sinal que algo neste sistema não está a funcionar bem. Não é fácil perceber à vista desarmada o que está a correr mal porque este sistema não tem sido transparente e não tem tido fiscalização, mas também não é preciso esgravatar muito para chegar a algumas conclusões. Um capitalismo sólido pode e deve continuar a ter o lucro como objectivo, desde que se ajoelhe à Declaração Universal dos Direitos Humanos. E isso não tem sido conseguido. Quase todas as ideologias modernas têm como objectivo, em fim de história, acabar com o Estado. O capitalismo, o socialismo e também o anarquismo... Julgo que esse momento está longe de chegar e não deve ser uma preocupação, pelo menos para já. Se a democracia for sofisticada, nem sequer encontro necessidade em acabar com o conceito de estado ou nação. Para já importa resolver isto: as políticas liberais rezam que o Estado, figura abstracta que representa a totalidade de pessoas de um país, não deve colocar a mão no mundo dos negócios. Ora, essa pretensão é apenas comum às pessoas que, com alguma falsa ingenuidade, não perceberam ainda que o bem de uma grande empresa não significa o bem comum. E que o governo, em nome de todos nós e na tentativa de melhorar as condições de vida de todos, tem a nossa autorização para negociar e legislar sobre comércio. &lt;br /&gt;Um Estado, tem leis, criadas pelos governos eleitos, que servem precisamente para garantir que a liberdade de uma pessoa não seja causa da prisão de outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um apologista da política liberal deverá então considerar que para o Estado poder deixar de agir e criar leis que controlem o mercado, uma melhor definição de empresa,&amp;nbsp;será a de "pessoa colectiva que vende bens e/ou serviços &lt;b&gt;pertinentes&lt;/b&gt;, com o objectivo do &lt;b&gt;melhoramento da sociedade em geral&lt;/b&gt; e que &lt;b&gt;preste gratuitamente bens e serviços essenciais a todos os que precisem&lt;/b&gt;".&lt;br /&gt;Não querendo eu aborrecer o leitor com as minhas justificações para escrever este texto vou tentar ser o mais sucinto possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As várias faces da questão, ponto por ponto:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Um mercado moderno baseado na dívida perpétua&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos países, mesmo nos mais desenvolvidos, tem existido por parte dos ministros da educação empenho na promoção da educação económica. Em Portugal, por exemplo, uma pessoa que não siga Economia e não tenha experiência empresarial, pode chegar ao fim de um longo investimento em educação (em Portugal, como nos Estados Unidos, a Educação ainda não é um direito, é um investimento) sem saber a diferença entre as contribuições para a Segurança Social, e as taxas de IRS e&amp;nbsp; de IRC, sem saber sequer passar um cheque ou fazer uma compra on-line e calcular o imposto de valor acrescentado. &lt;br /&gt;A maior parte das pessoas, mesmo alguns empresários e economistas, ainda vive na ilusão de que criámos num sistema monetário matematicamente equilibrado. Isto parece-me não ser verdade.&lt;br /&gt;O crescimento desregrado do mundo financeiro ditou que a dívida seja sempre maior do que o total de dinheiro existente para a pagar. Como? É simples. Se não viu o excerto do filme, ou não percebe inglês, passo a explicar: na Europa, o Banco Central Europeu, que é o único banco que se podia dar ao luxo de não cobrar as dívidas porque, em tempos de crise, pode (em troca de um documento que prova que alguém lhe deve), produzir mais moeda (antes do Euro, os Bancos Nacionais tinham esta função; nos Estados Unidos é a Fed que o faz). Este contracto de emissão de moeda é sempre celebrado com uma taxa de juro adicional. Os países ficam a dever o dinheiro que foi produzido e mais uma taxa de juro. Na Europa o BCE apenas empresta aos Bancos de Retalho que cobram juros adicionais aos Estados. As nações ficam também com uma moeda de valor mais baixo porque, dentro deste sistema financeiro, havendo mais dinheiro em circulação ele desvaloriza e, consequentemente os preços dos bens sobem. Os Bancos de Retalho, quando se querem financiar, por sua vez também têm que ir falar com o Banco Central Europeu, e novamente cobram aos seus clientes taxas de juro mais altas para aumentarem os lucros. Mas o Banco Central Europeu, assim como a Fed, e todos os bancos que seguem a tradição ocidental, nunca produzem o dinheiro correspondente para que se possa pagar o acréscimos dos juros. Assim, sempre que há uma taxa de juro, cria-se mais dívida do que dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;NOTA: Os juros são proibidos na maior parte dos países muçulmanos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Um mercado de dinheiro como um mercado de… batatas por exemplo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande diferença entre as natureza das trocas financeiras e as económicas tem que ver com a variação do valor de uma determinada coisa no tempo. Expressões como o “preço do dinheiro” confundem qualquer criança. E não é de espantar. Enquanto a maior parte das trocas de bens e serviços por dinheiro funcionam dentro de um sistema económico em que o valor do dinheiro é dado adquirido (ou é pelo menos facto incontornável no momento da troca) e cujo o lucro vem do poder do trabalho (de transformação, produção ou criação), a arte ou a ciência das Finanças assume-se como um sistema que opera, e joga com o factor tempo, dentro de um mercado onde a moeda (entre outros activos) se comportam como ideias de valor variável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devemos ter qualquer dificuldade em aceitar que na Economia, um excesso de produção signifique uma descida do valor, porque a procura em relação à oferta diminui. No entanto é fatal aceitarmos que o mundo financeiro, um tanto ou quanto embriagado pelas margens de lucro, consiga aplicar esta mesma lógica ao dinheiro, como se fosse possível haver menos procura de dinheiro.&lt;br /&gt;O capitalismo, é um sistema económico, e não deve ser aplicado a um sistema financeiro. O capitalismo, como sabemos, tem sempre o lucro como finalidade, e quem entra neste sistema, não devia poder perverter esta norma. Apenas é possível considerar que o dinheiro pode ter menos procura, e consequentemente variar de valor, quando acima do juízo baseado na Necessidade prevalece o juízo baseado no Investimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplificando: enquanto uma empresa normal não pode criar dinheiro do ar para acumular riqueza, uma instituição financeira pode fazê-lo, embora ambos procurem o lucro. A possiblidade que é concedida aos Bancos Nacionais e Internacionais de criarem dinheiro em troca de um documento comprovativo de dívida, estende-se&amp;nbsp;a qualquer banco de retalho. Um Banco Comercial pode criar dinheiro a partir do dinheiro que não lhe pertence. Atente-se no seguinte exemplo:&lt;br /&gt;Um banco que tenha 200 000 dólares/euros depositados por um cliente pode, se lhe for pedido um empréstimo de 180 000 dólares/euros, criar virtualmente esses 180 000 dólares/euros sobre os 200 000 dólares/euros que tem, e pode ainda cobrar uma taxa de juro adicional para reforçar o lucro (a lei assim o permite, e o actual funcionamento da Banca, segundo os moldes Norte-Americanos, assegura que um empréstimo concedido nunca possa ser impedimento para outros investimentos). &lt;br /&gt;Na Europa os bancos também têm esta possibilidade mas em Portugal, mesmo que quisessem usufruir desta facilidade de criação de dinheiro não poderiam. Como não têm liquidez (há muito menos depósitos que empréstimos), têm que se financiar, pagando taxas de juro. Em Portugal o Estado tenta garantir que nem todo o dinheiro emprestado tenha origem num empréstimo e exige que pelo menos 8% de cada depósito seja capital próprio do Banco. Assim, dos 100% do empréstimo que um banco queira conceder, para garantir os 8% exigidos por lei de capital próprio, necessita de "criar e vender produtos" novos (normalmente são produtos financeiros, como depósitos a longo prazo, fundos de investimento), e ainda tem que se endividar junto de Bancos mais fortes nos restantes 92% do empréstimo, pelo qual cobra, a quem pede o empréstimo, uma taxa de juro mais alta do que a que negoceia com os bancos a que recorre.&lt;br /&gt;Observa-se que estas regras de criação de dinheiro, por si só, oferecem ao sector da banca um modo frágil de se auto-financiar, mas tentam garantir que ao mesmo tempo que se empreste dinheiro exista&amp;nbsp; uma garantia liquidez, caso alguém decida resgatar o seu depósito. Assim, os juros, são efectivamente uma simples margem de lucro sobre a venda do dinheiro. Será bom para os bancos que encontrem outros modelos de negócio que não passem pela venda de dinheiro, ou vão encarar a falência… &lt;br /&gt;As mesmas leis de aplicações de juros que permitiram que os bancos singrassem, condenam os bancos mais fracos, ou quem sabe os mais fortes, à falência. Este processo de gestão de activos financeiros de valor flutuante gerou um mercado tão gigantesco como o visível nos gráfico que abaixa representa o custo da crise financeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.informationisbeautiful.net/visualizations/the-billion-dollar-gram/"&gt;Clique para ampliar. &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.informationisbeautiful.net/visualizations/the-billion-dollar-gram/" target="_blank"&gt;&lt;img alt="Photobucket" border="0" height="640" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/Graphics/billion_dollar_gram_2009.png" width="450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;A lógica desumana da macro-economia&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como foi explicado no ponto anterior, a mecânica do dinheiro actual é, ao contrário do que a grande maioria da população pensa, relativamente simples.&lt;br /&gt;Recapitulando: os bancos centrais (chamemos-lhes assim) em coordenação com os governos e as outras instituições financeiras, são responsáveis pela criação de moeda. Na Europa, estas instituições, bancos centrais e governos, não só estão em constante comunicação umas com as outras, como respectivamente, recebem os relatórios dos bancos comerciais e dos bancos de investimento dos seus países, e administram os impostos dos seus cidadãos. Os bancos centrais, a partir de contractos com os governos, podem emitir mais dinheiro a um certo Estado que depois o deposita em bancos comerciais, a isto os economistas chamam: investimento nos mercado de títulos de dívida com posterior depósito num banco de retalho. Muitos destes mercados de títulos de dívida nem sequer estão regulamentados, muito menos são fiscalizados embora haja organismos que tentam regular as Finanças.&lt;br /&gt;Nas últimas décadas tem sido desenvolvido um sistema internacional de mútua vigilância que rege a produção e o valor da moeda dos países. Para este controlo tem sido usado um conjunto de técnicas cada vez mais inventivas e cada vez menos eficazes. Este conjunto de técnicas inclui: a análise risco internacional da dívida; o balanço de pagamentos que descreve as relações comerciais de um país com o resto do mundo; os Regimes Cambiais que definem a variação das taxas de câmbio; as supressões da inflação por decreto-lei que impõem o congelamento dos preços dos bens e serviços; os "perdões" de dívida monetária em troca de riqueza natural e acordos de exploração; o cálculo da inflação através de cabazes de de produtos etc...&lt;br /&gt;Estas formas, fortemente baseadas na mecânica de colonialismo económico-cultural usada para a criação de dinheiro e riqueza dos EUA, estão a contribuir para o aumento do dinheiro negativo (dívida) em relação ao dinheiro positivo (crédito) e, mais grave, não estão a conseguir resolver o problema social do fosso entre os seres humanos que têm excesso e os que precisam do mínimo. &lt;br /&gt;Não soará a disparate se dissermos que estes instrumentos se encontram desactualizados e que se têm revelado inócuos na aplicação de justiça enconómica entre estados e infrutíferos na promoção da liberdade e igualdade de direitos entre os cidadãos desses estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;A lei da oferta e da procura aplicada à moeda&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma regra basilar da Economia no que toca ao "valor de uma coisa": a lei da oferta e da procura. &lt;br /&gt;Esta lei basilar garante o funcionamento saudável entre a produção e o consumo de um certo mercado. Sempre que aplicada dentro de um contexto de uma economia simples tem-se revelado eficaz. Infelizmente tem sido indevidamente transportada para as Finanças e, durante os últimos séculos, o dinheiro juntamente com outros activos que o representam, têm sido tratados como produto, enquanto não passam de ideias. Esta transposição automática da Lei da Oferta e da Procura para o dinheiro é um erro de lógica com resultados muito cruéis. Ao contrário dos produtos de consumo, o dinheiro nunca tem menos procura, porque faz parte da sua concepção, da sua natureza, poder ser trocado livremente por qualquer produto. Todos sabemos que o capitalismo só funciona porque mesmo um homem com muito dinheiro quer sempre mais dinheiro.&lt;br /&gt;Até aos dias da depressão mundial, que está a tomar forma na última década, sempre que mais dinheiro tem sido criado, ele tem descido de valor. Esta desvalorização do dinheiro foi permitindo que os processos de acumulação de dinheiro se tenham desfeito ligeiramente... Um estado criava mais dinheiro, o dinheiro desvalorizava e um afortunado capitalista, seguindo a lógica perversa do produto monetário, via na desvalorização do seu dinheiro, uma oportunidade para se ver livre dele investindo em algo mais seguro antes que os preços aumentassem (em arte, em imóveis, em ilhas). &lt;br /&gt;Feliz ou infelizmente, nestes moldes a quantidade de dinheiro que se permite injectar numa economia contemporânea, já não é suficiente para influenciar o valor do dinheiro, tendo em conta que já foi produzida uma tal quantidade, que mesmo uma produção de quinhentos milhões de euros no espaço de um trimestre, significariam uma gota de água na economia e pouco ou nada afectariam o valor do mesmo. Na figura abaixo, podemos também ver um gráfico com uma fórmula que sintetiza a capacidade de desvalorizar o dinheiro. Enquanto numa economia recém criada a produção de dinheiro implica a acentuada desvalorização do mesmo, numa economia global e secular como a nossa, a produção da mesma quantidade de dinheiro apenas consegue desvalorizar a moeda a um nível microscópico. Em baixo vemos uma economia imaginária onde foi injectada anualmente um bilião de unidades monetárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KRW123tF1s8/TtOJoxCL8aI/AAAAAAAAAyo/Dcqi2BZaHI0/s1600/grficodainflao_2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-KRW123tF1s8/TtOJoxCL8aI/AAAAAAAAAyo/Dcqi2BZaHI0/s640/grficodainflao_2.jpg" width="500" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: para quem não sabe, a desvalorização da moeda tem sido um dos truques mais utilizados sempre que há crise. Quando se desvaloriza moeda, injecta-se dinheiro na economia, podem pagar-se as grandes dívidas e investir-se em estradas e hospitais. Os preços sobem, a indústria e o comércio têm mais lucro e ficam mais confiantes.&lt;br /&gt;Perguntámo-nos então: porque não produzir quantidades maiores de dinheiro para aumentar a inflação e melhorar a economia? Esta é uma falsa questão, mas tem resposta. O problema não está nos índices económicos. O problema é também humano, além de matemático. Mesmo que a economia fosse activada desta forma, tudo aponta para que em pouco tempo, quase que por uma "lei gravitacional da moeda" (que deve ser contrariada pelos estados), a riqueza continuasse a ser mal distribuída. Quantidades maiores, têm-se revelado de impossível gestão, e é completamente desnecessário produzir mais moeda, quando se sabe que existe dinheiro mais que suficiente (distribuído de modo desigual) nos países desenvolvidos&amp;nbsp; para que todos possamos viver com acesso à saúde, educação e a outros bens mesmo que não essenciais. O que me leva ao ponto seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;A escala&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num passado recente a população dos Estados era menor, tornava-se mais fácil para um governo distribuir a riqueza e esperar que o mercado continuasse o natural ciclo de trocas. Esta facilidade ficou em causa com a explosão demográfica. Com uma dedução lógica um pouco tosca mas acertada, pensou-se que aumentando a quantidade de dinheiro produzido se resolveria o problema, mas com esta solução surgiu outro problema: o da distribuição da riqueza. É comum, hoje, serem celebrados contratos de dezenas e centenas de milhões euros entre empresas gigantescas e os Estados, mas não existe um sistema oleado de celebração de contratos entre pequenas empresas e o Estado.&lt;br /&gt;Nos dias que correm, a gestão da riqueza está nas mãos de poucos e a quantidade de dinheiro, essa, ultrapassa a escala de qualquer decisão humana sã.&lt;br /&gt;A inflação provou ser atalho que dá mais trabalho, e incentivar o nivelamento da riqueza pela desvalorização da mesma não interessa, principalmente a quem tem a maior parte da moeda. &lt;br /&gt;Numa economia matematicamente saudável, o dinheiro, ao contrário do pão, não pode valorizar nem desvalorizar porque não é como o pão. O pão mata a fome e estraga-se quando não é comido, por isso pode valorizar e desvalorizar, o dinheiro não. A moeda é a medida essencial da economia. Alterar o valor do dinheiro é como alterar o valor do centímetro sempre que crescemos um pouco. Além de ser desleal, impede o desenvolvimento colectivo baseado na igualdade de oportunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Liberdade de deslocação &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabemos nem todos os países têm os mesmo recursos, as mesmas oportunidades, nas mesmas alturas. O desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte criaram um paradigma onde a deslocação de pessoas e bens é sinónimo de liberdade de opção. Privar um ser humano da possibilidade de deslocação entre países por questões do foro monetário é considerado uma privação da liberdade. Pensar que um regresso ao passado de economias fechadas, possa ser uma solução para esta ingerência global, é apenas uma ideia romântica para quem nunca viveu afastado de hospitais, escolas, informação, momentos de lazer que o desenvolvimento têm trazido à civilização humana. A necessidade de deslocação está na nossa natureza. O nomadismo, o mercantilismo e a globalização são disso prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Cem Globins são um Globo, nem mais, nem menos: Uma moeda global de valor fixo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Globo, uma moeda global fixa: uma única moeda mundial, de valor fixo, cuja produção seria regrada e feita pelos estados e fiscalizada pelas justiças de cada país, aplicando um lei monetária internacional. Este tipo de processos nunca mais deveria ser feito pelos mesmo agentes que neste momento lucram com a venda de dinheiro. Esses teriam de ser outra coisa qualquer que não criasse nehum tipo promiscuidade na passagem de um sitema para o outro.&lt;br /&gt;Pode ser preconizada uma situação nova como por exemplo:&lt;br /&gt;a) um disco/servidor para efectuar os registos das contas nas mãos das finanças estatais&lt;br /&gt;b) um servidor de fiscalização entregue à justiça&lt;br /&gt;c) terminais de pagamento nas lojas e em casa (parecidos com as actuais máquinas de leituras de cartões multibanco)&lt;br /&gt;d) impostos calculados directamente sobre os registos&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e) apenas a justiça, com mandado do juíz poderia ver detalhes pessoais (objecto comprado e local) das transações&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este parece-me ser o melhor futuro do capitalismo. Se as pessoas não investirem em investigação e desenvolvimento nas finanças, se os decisores não tiverem coragem, assistiremos no último grau do falhanço financeiro, o aumento de "desempregados financeiros". Têm que ser criados novos empregos necessários para modernizar a actual forma de gestão fincanceira.&lt;br /&gt;Para que a Declaração dos Direitos do Homem tenha alguma hipótese de ser cumprida, as regras do jogo financeiro têm que mudar. Pergunto até, se um sistema financeiro que tenha alguma coisa que ver com o actual, terá viabilidade. Até ao momento, ainda não encontrei, uma razão sólida pela qual as bolsas não continuassem a funcionar e as trocas a acontecer num mundo de moeda única sem juros. Subtraindo factores, como por exemplo as taxas de câmbio e as taxas de inflação, os investimentos bolsistas continuariam a ter uma dose de risco alta, mas os cálculos seriam menos falíveis.&lt;br /&gt;Numa situação de moeda global de valor fixo, o mercado continuaria a ser livre, mas desapareceria o mercado de câmbio. Seriam os estados a negociaram as suas posições e necessidades através dos seus representantes, com dados precisos, junto dos outros estados dentro das instituições internacionais. Esta seria, no meu entender, a melhor forma de voltar a dar margem de manobra à democracia e abrir espaço para que exista uma política digna desse nome. Hoje, a política económico-financeira que nos afecta a todos continua, em grande parte, nas mãos dos Bancos, e isso não nos garante que o bem colectivo prevaleça sobre os interesses dos gerentes nomeados pelos accionistas desses bancos. Não se pode sequer dizer que um Estado hoje em dia tenha uma política económica. As Finanças, idealmente deverão ser um sector tão sério, imparcial e fiscalizado como o da Justiça. Hoje em dia são apenas um negócio. Num cenário de moeda única, as finanças, ao contrário da justiça, não necessitariam de tanto sigilo. Pelo contrário. Seria impossível colocar esse sistema em prática sem a modernização de um sistema de compra e venda muito mais transparente. As ciências informáticas e a tecnologia existentes são capazes, há já muitos anos, de calcular e calcular e liquidar o IVA, o IRS ou o IRC, sem que haja sequer a necessidade de declarações por parte dos cidadãos, nem possibilidade de fuga. Não é complicado perceber que este será um ponto sensível, e que as culturas mais conservadoras e as gerações mais medrosas tenham muita dificuldade em partilhar com o estado as suas transações económicas. Mas entre isso e perpetuar um sistema de escravatura disfarçado no próprio sigilo bancário não será dificil escolher. Talvez haja espaço para um período longo de transição, onde as duas enconomias funcionem em paralelo. O comércio on-line é já um pouco isso, mas continua a ser feito com moedas flutuantes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;A distribuição dos Globins:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que quantidade de dinheiro distribuído para livre administração de cada país correspondesse às expectativas, ao invés de se determinar o valor da moeda de um certo país através de uma taxa formada, no mercado cambial, através dos movimentos de oferta e demanda por activos em moeda estrangeira, deveria interessar a sua riqueza ecológica e produtiva assim como as necessidades e fragilidades do país. &lt;br /&gt;Um país que consumisse os recursos naturais cuidados por outro, deveria ter menos créditos que um país que cuidasse dos seus recursos naturais. A pegada ecológica tem um preço, e isso é calculável. Seria interessante observar como as taxas de câmbio de moeda passariam a ser taxas de câmbio de recursos naturais. Seria ainda mais gratificante ver as novas gerações de ecologistas com gosto pela matemática, pela política internacional e pela geologia, por exemplo para que conseguissem calcular exactamente quanto é que um estado podia consumir sem ameaçar a nossa presença aqui. Um país que use os seus recursos naturais para produzir bens essenciais para outros países deveria ter mais créditos produtivos que um país que não produza tanto. Esta ideia não é nova, mas apresenta-se hoje como facto incontornável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será impossível conseguir uma mudança económica sem uma limpeza gradual da dívida. Isso conseguir-se-ia através da abolição das taxas de juro, (com efeitos rectro-activos apenas sobre a dívida por cobrar). Isto é, seria necessário um acordo entre as instituições governamentais e as instituições financeiras para que, num espaço curto de tempo, os credores encontrassem modelos de negócio que não passem, então, por pedir dinheiro que não existe. Esta abolição das taxas de juro, apenas poderia ter efeitos retro-activos sobre a quantidade de dívida por cobrar para ajudar facilitar o trabalho de adaptação da Banca a um novo modelo monetário.&lt;br /&gt;Muito importante! Num sistema fincanceiro, seja ele de Moeda Global, ou de várias moedas, nunca a dívida poderá divergir da totalidade de dinheiro existente, sob a ameaça de voltarmos a cair num sistema de limitações causadas pela incapacidade de pagamento da dívida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer país, zona, cidade, aldeia, ou indivíduo deverá voltar a ser livre para administrar o seu dinheiro. Os estados deverão continuar a trabalhar para garantir a saúde, os transportes, a água, educação e&amp;nbsp; informação aos seus cidadãos. Deveriam continuar a zelar pelas suas constituições e continuar a trabalhar em conjunto para manter o planeta saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, esta estratégia para uma unidade global (da economia e não só) poderá ser adoptada depois de muitas falências no sector financeiro. É difícal acreditar que a Lehman Brothers tenha sido a última. É da responsabidade do Estado (nós próprios) evitar que o Estado se deixe levar pelo financiamento do sistema financeiro. A falência dos credores no sector bancário, é provavelmente a melhor saída para esta crise porque é sempre menos justo resolver socialmente uma situação de falência de duas casas onde vivem 100 pessoas que exigem o impossível, do que resolver a falência de cem casas diferentes onde vivem 2 a exigirem o mínimo essencial.&amp;nbsp; Esta será a melhor e menos danosa oportunidade para reconstruir um novo sistema, mais justo e transparente. Com as actuais premissas, o desenvolvimento social encontra-se seriamente ameaçado. Hoje em dia já ninguém quer ter filhos, a não ser que nasçam economistas já de lápis na boca! Será como começar do zero e será tão somente razoável aproveitar a continuação desta depressão do sector financeiro para criar um modelo novo, globalmente sustentável e justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gQdk8coe9Dk?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gQdk8coe9Dk?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-7499591808346415892?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/7499591808346415892/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=7499591808346415892' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/7499591808346415892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/7499591808346415892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2010/08/unidade-da-economia.html' title='&lt;b&gt;A unidade da economia&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/Graphics/th_billion_dollar_gram_2009.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total><georss:featurename>Oporto, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.149968 -8.6102426</georss:point><georss:box>41.0543165 -8.7681711 41.245619500000004 -8.452314099999999</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-6332791808373654921</id><published>2010-05-29T07:42:00.000-07:00</published><updated>2010-06-12T05:38:32.132-07:00</updated><title type='text'>CRIATIVIDADE VS CRIAÇÃO NO DESIGN: FRAGILIDADES DA FÓRMULA EM DOIS EXEMPLOS VINDOS DE DESIGN DE AUTOR</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;Soube que existe uma pessoa que está a tentar publicar a parte mais feroz deste texto para que lhe sirva de biografia num livro sobre Emoção. Ora, como este texto não foi escrito para esse efeito, as horas que gastei na sua redacção não servirão para que se faça dele, com um copy/paste numa nova moldura, uma piada de mau gosto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;Assim para evitar um prolongamento desta situação vejo-me obrigado a proteger a obra legalmente usufruindo excepcionalmente do direito universal de Copyright. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.spautores.pt/document/CodigodoDireitodeAutorCDADCLei162008.pdf"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;Aqui podem fazer download do código do direito de autor português&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;. A minha autorização, é quase garantida, a todos os que desejem publicar um excerto deste texto desde que me avisem primeiro. Deveis saber que este foi o último recurso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;© João Marco Martins Alves Marrucho 2010&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Design de Comunicação deve ser entendido com um processo que começa (regra geral) na interpretação do contexto, e que não tem tempo ou fase de término definível (uma vez que a comunicação, após as primeiras emissões, se vai materializando em recepções de mensagens que por sua vez podem dar resposta, resposta essa que pode gerar nova resposta &lt;i&gt;ver &lt;a href="http://texto.fba.up.pt/?p=43"&gt;esquema neste link&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;Compreendendo isto, é fácil concluir que quando pensamos sobre design de Comunicação, podemos fazer uma análise do baseada na natureza técnica e estética a par de uma análise à integração de uma coisa no contexto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para simplificar: &lt;br /&gt;1-apelidarei de Coisa um qualquer produto/mensagem&lt;br /&gt;2-chamarei Fase Criativa ao tempo que o designer trabalha/negoceia com o cliente e se dedica à parte técnica e estética, a elaboração da Coisa&lt;br /&gt;3-usarei a palavra Criadora quando me referir à fase em que a Coisa afecta o contexto exterior ao ambiente onde foi criada. &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Esta nomenclatura e raciocínio são consequência de conhecimento adquirido na FBAUP que solidifiquei depois n'A Transformadora. De sorte que me dá para tentar desenvolver de modo mais profundo um conjunto de frases que podem ler-se no &lt;a href="http://www.atransformadora.pt/"&gt;site da AT, na secção &lt;b&gt;at&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; (escritas por Anselmo Canha, mestrado pela FBAUP em Design de Imagem): &lt;b&gt;"A comunicação é consequente. Não apenas criativa mas também criadora. Torna-se numa descoberta válida para os seus públicos. O potencial transforma-se em potência."&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aceitável que se diga que a reflexão sobre a primeira fase (a fase Criativa, a do processo de negociação, a de exploração técnica) seja aquela que "mais tinta gasta na imprensa portuguesa", ainda assim não tanto quanto desejável. O que muito raramente tem sido objecto de atenção é a parte criadora do Design de Comunicação. Este tem sido território hostil para quem quer reflectir. Não ouso em referir todas as razões para que assim estejamos, neste estado de receio perante um território que pode ser tão fértil. Não obstante admito que seja menos cativante pensar com a devida lucidez sobre estes assuntos que, pela sua visibilidade e impacto (no caso de mega-acções de comunicação), são falados com leviandade por toda a gente. Reconheço também que possa ser pouco desafiante falar sobre investidas locais (mais pequenas), talvez porque se pense sempre que sejam passageiras, ou mesmo por receio de retaliações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, como não estou a encontrar quem pense por mim sobre isto, tornou-se urgente escrever sobre isto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez alguns de vós saibam que desenvolvo, mais do que trabalho de natureza puramente teórica, trabalho prático. No início-do-início da minha (ainda curta) actividade profissional, consegui de alguma forma usar e testar uma série de vocábulos visuais, técnicas e processos variados. Para meu espanto, as pessoas começaram a dizer-me que eu tinha uma linguagem. Ao mesmo tempo que senti um certo orgulho fiquei preocupado. Comecei a perceber que enquanto algumas pessoas me relacionavam com cartazes/desenhos feitos à mão (onde associava sempre uma imagem dum contexto a uma frase de outro, criando outros significados), outras viam-me preso a um estilo onde cruzava a frieza do estilo internacional com tiques do "design antes do design se chamar design" (feito em computador e expresso em paginações de revistas com fonts modernistas nos títulos com fonts serifadas em texto corrido, florões, estiletes, filetes...), outra gente ao uso de muita cor e triângulos, outros pensavam que eu só recorria a &lt;i&gt;dignbats&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;presets&lt;/i&gt;, algumas pessoas nem sabiam que eu era designer e pensavam que só produziam música electrónica e que só usava a Comic Sans. &lt;br /&gt;E assim, pouco tempo depois, essas preocupações passaram. Se diferentes pessoas me associavam a diferentes coisas, nada tinha a recear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta necessidade de me sentir capaz de agarrar coisas diferentes é a meu ver uma característica essencial para conseguir, à medida que eu for envelhecendo, garantir a capacidade de olhar para os desafios de olhos limpos. Sem sacar da fórmula no bolso que resolve a Diocese do Porto e a FIFA do mesmo modo. A partir daí torna-se mais simples avançar para a criação de novas identidades. Serei, menos autor do que um designer que tenha uma fórmula? Népias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem vai além de um conjunto de vocábulos. Não é sequer redutível a um idioma ou uma língua. A linguagem de um autor pode ser muito mais do que dois ou três de tipos de letra usados repetidamente em trabalhos diferentes, ou uns bonecos de traços finos negros sobre papel texturado, por exemplo.&lt;br /&gt;Um autor consegue dizer melhor uma coisa quanto mais facilidade tiver para escolher de um leque variado de recursos. As possibilidades tornam-se mais vastas. A solução mais pertinente e particular.&lt;br /&gt;Às vezes o mercado funciona mal, valoriza o contrário. Alguns clientes, querem o que os outros clientes têm (efeito formiga que segue formiga, que às tantas se perde e começa a seguir a última formiga criando uma longa caminhada para o nada). Nessas situações, a força criadora do design é preterida em favor da cristalização de um certo trabalho criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até há bem pouco tempo, o designer de comunicação era entendido como designer gráfico (que por razões que me ultrapassam, ou talvez por hábito, apenas respondia pela parte criativa). Hoje em dia é de salutar que os designers de comunicação sejam profissionais reconhecidamente dotados de capacidades técnicas e conceptuais que lhes permitem tentar dominar a parte criadora do seu trabalho. &lt;br /&gt;Um designer de comunicação, tem por norma uma grande formação em linguagens não-verbais e a sua formação, de natureza multi-disciplinar, obriga-o a manter atenção a (mais do que às evoluções técnicas relacionadas com as suas ferramentas) uma conjuntura. &lt;br /&gt;Essa necessidade de entendimento de uma realidade exterior explica porque é que  muitos clientes preferem um designer que lhes seja próximo: porque conhecem as preocupações do cliente face à estrutura mais ampla onde pretende agir.&lt;br /&gt;A análise da parte criadora do design implica uma grande investigação e prende-se com questões processuais tão complexas como discretas. A somar à análise interna dos processos (muitas vezes encerrados em secretismo), é obrigatória uma análise externa. Tantas são as situações em que urge saber de política... outras saber de bioética... quotidianamente há que entender questões socio-culturais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que podem argumentar que num trabalho é impossível avaliar estas duas vertentes (Criativa e Criadora) de forma separada. Compreendo que esse dizer vem de uma apreensão face a um território por explorar (e quem sabe, resultado do medo de acatar as responsabilidades inatas à nossa profissão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que melhor se perceba como é importante diferenciar estes dois aspectos, dou dois exemplos de como estas duas fases podem estar desfasadas. São dois exemplos que me são próximos e apenas por isso me é possível avaliá-los. Escolhi-os porque em ambos os casos, trabalharam designers que têm desenvolvido a sua actividade à volta de um vocabulário próprio. Havia espectativas para que fossem muito boas (estas duas coisas que se seguem) e cheguei a pensar que os autores fossem assumir a responsabilidade de estudar as consequências e alterassem o seu processo criativo de acordo com essas previsões/premissas. Um bombeiro cujo o trabalho é apagar incêndios não pode vir com um canhão de água cada vez que alguém diz "Fogo!". Provavelmente dispararia o canhão em alguém no café a tecer comentários sobre o jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O caso do lobo castanho:&lt;/b&gt; um exemplo de como um bom trabalho criativo (um cristal de beleza pop) pode não desaguar em pontencial criador, em potência. &lt;br /&gt;Neste caso apresento o trabalho de um atelier de design de comunicação (onde trabalha José Cardoso) que vive num universo de figuras misteriosas de cores vivas (para ser muito sucinto). O Zé tem optado por usar os mesmo signos, as mesmas figuras, insistentemente, seja para música ou calçado, trabalhando sozinho ou em grupo.&lt;br /&gt;Em 2007 trabalhei com ele num projecto chamado &lt;a href="http://www.myspace.com/ospowerpointers"&gt;Power Pointers&lt;/a&gt; para o qual eu fazia a música e ele fazia a imagem. Mais recentemente trabalhou (no Salao Coboi) com a banda do meu mano, os &lt;a href="http://www.myspace.com/zeligjoyce"&gt;Zelig&lt;/a&gt;. Para ambos os projectos usou, como usou para outros, ilustrações muito parecidas. O que por si não é mau. É bom que se usem os nossos próprios signos em diferentes situações porque só isso possibilita que a cultura local possa competir e permeabilizar o mercado da cultura de massas. Mas a meu ver não deve ser feito com despojo. Até os mesmos contornos podem ter texturas diferentes, se o trabalho assim o justificar. Neste caso, poderei dizer que a minha música electrónica explora texturas bem mais estéreis que a música cinematográfica, de formas estranhas, rica em timbres, dos Zelig. O José Cardoso, sacou da fórmula (apelativa, sem dúvida), fruto de um excelente trabalho de criativo, mas com imagens vectoriais esterilizadas, limpas, para as colar a um produto com uma intenção completamente diferente. Num produto com um discurso repleto de perseguições velozes e escoderijos complexos, criado por pessoas vindas de cenários tão variados como o Punk, Jazz, o Rock. Um produto que exige alguma formação e sensibilidade na parte do ouvinte e, acima de tudo, predisposição para conhecer coisas novas. Deste desencontro de linguagens resultarou o que pode ser entendido como consequência adversa: quando um crítico menos informado gostou da capa e o agarrou da sua pilha de CDs enviados pelas editoras para fazer a crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;&lt;img alt="Photobucket" border="0" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/VA/lobocopy.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As capas, as lombadas, os nomes, os prefácios, tudo isto constrói um texto que antecede o consumar de uma obra. E como tal, a meu ver, não devem ser idealizados apenas no plano criativo.&lt;br /&gt;Mesmo que o crítico tivesse tempo para se dar ao trabalho de investigar sobre os músicos e o designer, para que pudesse fazer uma reflexão mais séria, podia dar-se o caso de simplesmente não gostar da música. Não seria preferível um desenho que antecipasse o conteúdo? Um ante-texto que colocasse o produto em contacto com um outro crítico com mais  vontade para de debruçar sobre uma análise, mesmo que isso significasse chegar a menos pessoas? Não sei ao certo. Resta-me dizer que o designer nunca teve como intenção sobrepor o seu trabalho ao da banda, tenho a certeza porque o conheço suficientemente para saber que tal nunca lhe passaria pela cabeça. Provavelmente pensou que seria suficiente que o seu trabalho cumprisse a já muito ambiciosa função de fazer o crítico, ou o cliente do cliente, agarrar no CD (coisa rara e díficil de conseguir e missão que foi cumprida com brio). Por isso está de parabéns, o Zé. Já por não ter antecipado a música, não está de parabéns. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O caso das festas:&lt;/b&gt; um exemplo de como um resultado criador pode não signifcar que tenha existido um bom processo de criação.&lt;br /&gt;Este é um caso em que um cliente (Passos de Aeróbica), cujo ponto forte é a capacidade de promoção (auto-promoção), que tem trabalhado para manter a ilusão de que é um vaso com terra fértil para o brotar de novos talentos. É um caso que envolve um designer, o Franciso Eduardo, que tem optado por fazer grandes posters (&lt;a href="http://www.behance.net/Gallery/TournAe/150738"&gt;ver posters&lt;/a&gt;) com desenhos realistas a grafite (seja para uma filme ou uma festa). Trabalhei com o Francisco em 2008, durante a promoção do meu projecto DJ Megamix 2009, para o qual ele desenhou dois fantásticos posters, um com um retrato meu, outro com retratos do dono do clube (Becas), do promotor das festas de outro clube (Simão Bolívar) e do DJ com mais visibilidade do Porto (João Vieira aka DJ Kitten). Sensivelmente na mesma altura, o Franciso foi convidado a fazer um poster para o meu colectivo de DJS (Concorrência DJs) e voltou a recorrer à mesma fórmula. Pouco tempo depois, um promotor (Jorge Soares aka Uma Naper) de festas, também convidou o Xico para desenhar um poster. Focado num objectivo de produzir mais trabalho da mesma natureza, o Francisco fez-lhe um poster que se confundiu com os que fez para nós. Muitas pessoas chegaram a perguntar-me se eu ia tocar nessa festa. O desenho do poster é bom mas as consequências não o foram (para mim e para meu colectivo, que queríamos ter uma imagem distante de outras festas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;&lt;img alt="Photobucket" border="0" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/VA/875211246717925.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política do Jorge (sei que sou muito suspeito) sempre teve um traço muito vincado de apropriação da imagem fotográfica dos outros, do trabalho visual (muitas vezes sem autorização), de apropriação do património cultural de outros: produtores, promotores, designers, DJs... Desde então que as festas que promove têm disposto trabalho alheio, numa moldura que promove os promotores. O trabalho deste promotores é fazer a moldura. Eu sou forçado a admitir que é bem feito tendo em conta o objectivo da auto-promoção. Mas sou levado a questionar a eficácia do seu trabalho quando este não envolver a mesma dose de culto pela própria personalidade.&lt;br /&gt;É legítimo afirmar que entretanto usa as pessoas e o seu trabalho para revestir de valor criativo uma actividade que na sua essência apenas tem valor criador. &lt;br /&gt;Será que outras soluções processuais coseguiriam melhores resultados? Não tenho certeza, mas creio que seria bem mais interessante aceitar o desafio de tentar criar algo, do que usar o trabalho do próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ambos os casos os designers optaram manter as suas linhas e em ambos os casos o processo de design saiu fragilizado. O que me leva a concluir que quando um autor opta por afirmar repetidamente um estilo pode estar a limitar seriamente o carácter criativo e criador do design.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-6332791808373654921?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/6332791808373654921/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=6332791808373654921' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/6332791808373654921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/6332791808373654921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2010/05/design-de-autor-fragilidades.html' title='&lt;b&gt;CRIATIVIDADE VS CRIAÇÃO NO DESIGN: FRAGILIDADES DA FÓRMULA EM DOIS EXEMPLOS VINDOS DE DESIGN DE AUTOR&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/VA/th_lobocopy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-537028486822960814</id><published>2010-02-10T15:55:00.001-08:00</published><updated>2010-02-11T02:09:53.653-08:00</updated><title type='text'>Testemunho, Fevereiro de 2010</title><content type='html'>Aqui deixo o meu testemunho de jovem adulto no Porto ao Close Up, que amavelmente me convidou para escrever algumas linhas sobre a minha experiência. Pediram-me 450 palavras e escrevi mais de 1600. Lamento ter tanto para dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui estudar para a FBAUP em 1999 era pessoa de consciência leve. Saí jovem adulto cheio de força para trabalhar, com mil ideias e sem um tostão para as colocar em prática. Os meus pais não são ricos, são da classe média, que entretanto está em em vias de extinção... Nenhuma instituição nem nenhuma empresa se apercebeu de que valia a pena fixar um novo trabalhador no Porto, e saiba-se que me esforcei para que o meu trabalho não tivesse passado despercebido. &lt;br /&gt;Elogiavam o meu trabalho em conversas de café, mas ninguém me contratou. Sei que muitos jovens designers como eu deverão ter encontrado estas e piores dificuldades, e poderão ter esmorecido com o passar do tempo. Este fenómeno raramente se deve à falta de qualificações, mas antes à falta de investimento nas pessoas. Basicamente, em Portugal preferem quase sempre investir em edifícios, equipamentos, viaturas do que em pessoas capacitadas para aumentar a produtividade com ideias novas. Assim acabamos a estagnar o dinheiro nas mesmas mãos e impedimos os negócios tradicionais, assim como os novos tipos de negócio, de florescerem. Mas isso seria tema para outro texto. &lt;br /&gt;Entretanto, passaram quase onze anos desde que cheguei ao Porto. Acabei o curso, vi as portas fechadas e vi também quase todos os meus colegas ou calados ou loucos. Grande parte emigrou. &lt;br /&gt;Há quem diga que quem chega ao Porto encontra as portas todas abertas, e que com o tempo, à medida que se vai experimentando e errando, essas portas vão-se fechando. Diz-se por vezes que no Sul é ao contrário, que as pessoas desconfiam quando chega um forasteiro e que com provas dadas as oportunidades aparecem.&lt;br /&gt;O que eu senti não foi bem isto, mas mesmo que fosse, acontece que para inovar é preciso experimentar e errar. Logo uma cidade cheia de gente que não admite o erro terá tendência a estagnar ou mesmo a regredir.&lt;br /&gt;Fui para Lisboa onde encontrei emprego. Depois regressei e encontrei emprego num dos maiores ateliers de design e publicidade do Porto. Aprendi o ofício do design gráfico mas antes de me esquecer como é importante errar para crescer, saí. Não vejo qualquer futuro no discurso marketeiro, e trabalhar sem capacidade para intervir em decisões importantes, tem vantagens, mas também pode ser desmotivante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Porto é uma cidade muito dura". Mas ao contrário do que se costuma dizer a seguir, não cria pessoas de carácter forte. Cria pessoas azedas (que é o que acontece à gente quando fica ao abandono). Mas pior que criar pessoas azedas, é criar uma outra espécie de pessoas empregadas que são atadinhas e que se desmancham ferozmente em cães de guarda quando alguém se aproxima do terreno do chefe. Esta é a minha descrição da maioria das pessoas que ocuparam cargos no tecido institucional portuense durante a primeira década deste século. Aqui o que cresce é a corrupção, a mediocridade e a falta de carácter. Isso aqui “é mato”. Essas são as pessoas dizem que "isto é muito duro" e que "aqui só os mais forte é que vingam". Nada mais longe da verdade. Mas imagino que em Lisboa seja o mesmo ou pior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diz isso nem sequer sabe quanta coragem e quanto desespero é preciso para criar um blogue ou escrever numa revista sobre algo que lhes diga respeito. Ignoram o que se escreve nas paredes... Desvalorizam a opinião pessoal livre, em prol de um qualquer pseudo-paradigma orientado por interesses económico-partidários. As pessoas que dizem isso são mais que malandras e estão-se pouco a marimbar para a frescura e para todos os novos planos de onde não retirem rendimentos a curto-prazo. Não conseguem perceber que estão a criar tantas dificuldades como as que lhes poderiam ter sido levantadas, descartando-se da responsabilidade de mudar, às vezes por comodismo, porque já chegaram onde queriam, outras vezes por medo, mas na grande maioria das vezes é porque estão impotentes para mudar seja o que for. Vivo cá há mais de dez anos e sei bem do que falo. Não são como aquele melro, que num dia de incêndio na sua floresta andou atarefado a acartar água no seu bico para o apagar. São como aquele castor que olha em volta e diz... “Bem isto está tudo a arder mas a culpa não é minha. Se fosse eu a mandar nem sequer árvores havia de pé.” E pergunta o castor Tugo com cara de quem a sabe toda ao melro: _Melro, melrinho… Porque andas tu a cansar-te para apagar este fogo imenso? — e diz-lhe o melro: —Eu estou a fazer a minha parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/?action=view&amp;current=tumblr_kru6obsMH71qa9bmwo1_500.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/tumblr_kru6obsMH71qa9bmwo1_500.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho em produção de música, de eventos, em design gráfico, escrevo, desenho, crio sistemas de organização, giro projectos, trabalho como trolha e moço de recados, com uma réstia de fé.&lt;br /&gt;Já pisei muitos palcos, já me cruzei com dezenas de directores, gestores, promotores e com muita malta cool. A gente cool (sejam nerds ou pavões) é a única que é preciosa no Porto. Quase todos os outros (existem excepções), dos chefes aos sub-chefes, representam o que de mais desprezível existe nesta cidade, com estruturas, com potenciais clientes informados, que forma pessoas valiosoas em quase todas as áreas profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que safa o Porto são os milhares de rapazes e de raparigas que ainda conseguem dormir de consciência tranquila e que são autoconfiantes, que chegam todos os anos, de todos os pontos de Portugal para estudar. É a Universidade que os atrai.  Muito sinceramente, esta cidade, não vale nada sem estes que ainda não estão medrosos ou comprometidos. Não vale nada sem os que não estão deprimidos. E mesmo as pessoas e principalmente os jovens que caíram em depressão recentemente têm que saber que não é só culpa deles porque eles nem sequer têm a oportunidade de se responsabilizarem por algo, e como consequência nunca poderão ser responsabilizados por nada, nem sequer pela sua própria saúde mental. É certo que todos erramos, dos gestores aos estagiários, que alguns têm mais iniciativa que outros, que alguns têm mais calma que outros, mas os gestores já estão a errar há muito tempo e tudo o que é demais faz mal. Se fosse realmente como ouvi dizer: —Quando erramos no Porto, fecham-se as portas!— já cá não andavam muitos deles. Por mim, esses é que podem desaparecer da cidade, e não malta cool, optimista e com carácter. Podem puxar dos galões todos, não me dizem nada, poderei tê-los um dia mais tarde se quiser, enquanto eles nunca poderão resgatar a nobre consciência do que é certo e errado. Uma elite de alma vendida ao diabo, para não perder um emprego, e outra protegida dentro das paredes herdadas dos avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, muito se tem falado de incubadoras de empresas, de parteiras de criativos, de gente disponível para ajudar os putos a fazerem planos de negócios. Sempre quero ver o que daí sairá. Tenho quase a certeza que ficará tudo na mesma. Os 30000 estudantes que continuarão a entrar, vão continuar a sair porque nem sequer estão interessados em ouvir falar o conferencista experiente que é conselheiro naquela ou noutra grande pessoa colectiva, muito menos em casar com os filhos dele.  &lt;br /&gt;Os objectivos que são apontados pelos ministros são de louvar, mas a cadeia de gestores que desce por aí abaixo até chegar ao professor orientador está tão descansada e tão corrompida que não vale a pena termos fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fixar talentos e fomentar a inovação é preciso um plano com princípio, meio e fim. Ora esse plano não passa de um estudo encomendado. Já lá vai um ano desde que começou a elaboração do plano, e nada, não aparece o plano porque não há plano. Não vão sobrar fundos para a concretização do plano porque está a ser gasto muito com a elaboração do plano.&lt;br /&gt;Enquanto os velhos gestores estão distraídos a ler os relatórios desactualizados da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico, as dificuldades continuam a galgar terreno nesta cidade que cada vez mais se afasta da vida desejada pelos jovens talentos portugueses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou, em vão possivelmente, tentar poupar tempo e dinheiro ao estado. Podem parar com o estudo para a concepção do plano para o desenvolvimento das indústrias criativas e anotar as seguintes medidas para lançar de vez o Porto para fora deste pegajoso, complexo e inapto conjunto de conjunturas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são as quarto áreas chaves que no caso do Porto merecem e devem ser fomentadas, assim como regulamentadas e supervisionadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1— Distribuição&lt;br /&gt;Criação de um mecanismo local de distribuição de produtos oriundos das chamadas indústrias criativas.&lt;br /&gt;Compete a este mecanismo recolher os produtos e colocá-los à venda em pontos distantes do Porto. Para isso é essencial procurar quais os produtos que existem, contactar com os produtores e admitir sempre novos produtores. É também preciso investigar quais a lojas específicas onde poderão ser colocados os produtos lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2— Imprensa Especializada&lt;br /&gt;Apoio à criação de empresas de Imprensa de carácter especializado.&lt;br /&gt;Compete a estas empresas analisar criticamente a produção local, sobre elas reflectir e escrever. Assim garantir-se-ia a publicidade e espírito crítico necessários ao natural desenvolvimento de todas as indústrias. Com uma rápida consulta on-line é fácil perceber que existe quem pense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3— Hardware e Software&lt;br /&gt;Apoio especializado às empresas de Hardware e Software. Por razões óbvias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4—Propriedade Intelectual&lt;br /&gt;Baixar os valores que são pagos pelos inventores para registo da propriedade intelectual e reduzir o poder de acção da ASAE que lá por saber trabalhar muito bem com bolinhos de bacalhau e vendas de DVD piratas em feiras, não quer dizer que possua as competências e as ferramentas necessárias para abordar questões de produção, distribuição e divulgação de música em formato digital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito isto… deixo-vos entregues à vossa consciência, ou aos tubarões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-537028486822960814?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/537028486822960814/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=537028486822960814' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/537028486822960814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/537028486822960814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2010/02/testemunho-fevereiro-de-2010.html' title='&lt;b&gt;Testemunho, Fevereiro de 2010&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-257362724600666758</id><published>2009-06-28T15:04:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T15:16:38.932-07:00</updated><title type='text'>Notas sobre a morte dum Ícon</title><content type='html'>É oficial. Com a morte de Michael Jackson mudámos de paradigma.&lt;br /&gt;25 de junho de 2009. Ia de viagem do Fundão para Lagos com o meu pai. Estava nesse dia a fazer a segunda parte de uma viagem que tinha começado no Porto para passar os últimos 4 dias das minhas férias na praia. Ainda não era meia noite quando o meu pai recebeu uma mensagem que eu li para que ele não desviasse os olhos da estrada. Da minha mãe: "notícia de úlitma hora, morreu michael jackson de ataque cardíaco." Ambos percebemos algo forte. Um marco. Entre silêncios fomos encaixando a notícia e não ouvi as piadas que o meu pai fazia normalmente sobre figuras populares (Michael Jackson, Herman José, só a título de exemplo...) Foi um daqueles momentos em que a nostalgia chegou com a cadência que lhe é característica. Uma coisa terna, humana, calma. Uma paz lenta e conclusiva. Telefonei a alguns amigos, e mandei mensagens de telemóvel. Muitos já sabiam, via TV e facebook. Tirámos o CD e sintonizámos uma a uma todas as estações que apanhávamos. Todas continuaram a programação rotineira como se nada se tivesse passado. À hora certa foi relatada a morte do artista. Morreu o rei da cultura Pop (Pop vem de popular, certo?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a&gt;&lt;img src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/mich9-718686-1.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto: Alguém quer um sucessor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A pop morreu." Prevejo com arrogância suficiente que seja isso que vão atestar quase todos os filósofos/musicólogos/CEOs de majors/politólogos, apenas para descobrirem (passado uns anos) que afinal não tinha morrido.&lt;br /&gt;Não morreu, mudou.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que ponho isto online, sinto um exército deles atrás dos ecrãs, desatentos ao que digo. Uma fileira deles preocupados em saber porque é que as vendas caiem e os concertos sobre os quais escrevem apenas têm a consumidores alheados da nova morfologia da comunicação. Um batalhão de críticos a juntarem farrapos para compor a mortalha da Pop. É triste, porque a Pop não morreu. Transformou-se rápido demais para se compatibilizar com os seus aborrecedores discursos sobre as viagens às lojas de música e as idas aos concertos de milhares de pessoas. Os que construíram o mainstream português vão dá-la como morta por muitos motivos, mas a principal razão pela qual vão dizer que a Pop morreu é porque não a veem. A Pop adquiriu contornos tão diferentes que eles já não a reconhecem mesmo que estejam em frente aos seus olhos. A cena é que não é noticiada depois do sinal horário. Não passa à hora certa na rádio, nem na TV.&lt;br /&gt;A Pop já não precisa que lhe abram as portas em horário nobre. O que a Pop precisa é que os que construíram o mainstream português (é do Porto, de Portugal, que escrevo) voltem às faculdades, às escolas e gastem os seus honorários numa licenciatura actualizada). Ou que continuem na mesma, preocupados com formatos museológicos como a rádio e a TV, porque a Pop por aqui, no meu bairro, está de boa saúde e recomenda-se. O paradigma mudou e já não é à hora certa que é instituída a mudança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-257362724600666758?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/257362724600666758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=257362724600666758' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/257362724600666758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/257362724600666758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2009/06/notas-sobre-morte-dum-icon.html' title='&lt;b&gt;Notas sobre a morte dum Ícon&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-4740389907208235806</id><published>2009-03-10T05:44:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T05:46:40.746-07:00</updated><title type='text'>Novo Manifesto</title><content type='html'>Mesmo sabendo que o Porto é um local pouco cosmopolita, onde o trabalho de qualidade está a saque a partir do momento em que é publicado, não me conformo com a noção de que a pobreza e a falta de trabalho reservada aos novos criativos portuenses, faça do canibalismo reflexo um modo de adquirir visibilidade.&lt;br /&gt;Por isso num contexto potencializador de consensos-light, onde a novidade é olhada com estranheza e desdém, e onde proliferam revivalismos bafientos e manifestações de liguagens inócuas, tenho de re-acordar o fascínio sobre o que rodeia uma pessoa e estimular a interpretação pessoal e o pensamento independente.&lt;br /&gt;Vou tentar honrar e continuar a produzir esta força criativa que tem sido vector orientador da nossa história da comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a&gt;&lt;img style="width: 500px; height: 331px;" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/f5bd1c7e58365c2c50b47f678dbc6249.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a&gt;&lt;img style="width: 250px; height: 293px;" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/Picture7.png" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a&gt;&lt;img style="width: 250px; height: 250px;" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/g.gif" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-4740389907208235806?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/4740389907208235806/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=4740389907208235806' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/4740389907208235806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/4740389907208235806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2009/03/novo-manifesto.html' title='&lt;b&gt;Novo Manifesto&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-1875522973615520011</id><published>2008-11-15T03:58:00.000-08:00</published><updated>2008-11-15T04:01:01.850-08:00</updated><title type='text'>IDENTIDADE CORPORATIVA E AUTORIA</title><content type='html'>Normalmente os designers são técnicos. Mas poderão ser culpados pela falta de originalidade nesta situação?&lt;br /&gt;Eu, como jovem designer, sirvo quase sempre apenas para corresponder às expectativas do cliente. Se o cliente quiser um logótipo como o da concorrência, por exemplo, eu posso dar-lhe isso. Se o cliente não disser que não, é porque quer mesmo ter uma imagem parecida com a da concorrência recusando uma potencial individualidade da sua marca em prol dum conceito qualquer imaginado para outra empresa. Aí, como designer tenho menos trabalho criativo, investigo menos, divirto-me menos, chapa cinco serve. O cliente fica satisfeito mas com uma coisa sem um jeito apropriado. O panorama continua igual mas maior. &lt;br /&gt;Então e se os clientes gostam de comer mal, que mais se há-de fazer?&lt;br /&gt;O cliente é arroz de pato, suponhamos: Invento e preparo uma bela receita para servir ao cliente um arroz de pato divinal e ele diz: -Está muito fixe, mas agora quero isso com lagosta. A empresa dele até é arroz de pato, mas se ele se vir como uma lagosta e teimar em misturar os ingredientes, acaba por servir um prato intragável aos clientes dele.&lt;br /&gt;O pior mesmo é quando o cliente é mesmo um arroz de pato com lagosta. Se tento ser claro, ele raramente gosta de se rever. Mas quem sou eu para lhe dizer que está a tentar o negócio errado? Nessas situações mais vale dizer logo: -Não gaste já em comunicação, gaste antes em investigação. Posso passar por arrogante, mas também pode correr melhor.&lt;br /&gt;Em condições excepcionais, um criativo competente deveria estar à vontade para poder aconselhar o cliente a mudar de estratégia. Se o cliente não ligar à sua opinião, o designer pode sempre tentar fazer o melhor que pode. E o melhor que pode está muitas vezes limitado pelo que o cliente quer.&lt;br /&gt;A superação das expectativas que o cliente tem para a sua imagem é tão impraticável como o ficar aquém das expectativas do cliente. Enfim, não são as expectativas do cliente. E ponto final. Tristemente não costuma servir outra coisa senão o esperado.&lt;br /&gt;É assim que funciona quase sempre o mercado. E por isso é que o design está em crise. Porque os clientes estão, sem saberem, em crise de identidade. É nessas alturas que pode dar jeito um autor. Alguém que saiba como construir uma mensagem, uma atitude, até mesmo uma linguagem. Convém realçar que autoria não é aqui sinónimo de fazer sempre a mesma coisa mas sim de dominar completamente o processo de comunicação. Uma agência pode ter autoria também.&lt;br /&gt;O método de criação de uma linguagem só pode ser posto em prática por alguém que saiba da poda. Alguém que não tenha pudor em usar uma Comic Sans para um cliente Comic Sans. Que não tenha medo de dizer coisas más porque a linguagem não é só feita de coisas boas. E são poucos os audazes, normalmente desempregados.&lt;br /&gt;E como se essa escassez de criativos com críticas construtivas sólidas não bastasse, encontrar um cliente capaz de tomar um atitude de risco, um cliente com um espírito autocrítico, é quase impossível.&lt;br /&gt;O mercado ganhava com essa frescura. Ganhava limpeza, claridade, facilidade de entendimento e beneficiava ainda de uma nova atenção por parte dos potenciais consumidores.&lt;br /&gt;Por este andar, não vai ser tão cedo. A mesma razão que impossibilita os designers de tomarem conta do processo, é aquela que os livra da responsabilidade criativa. Porque antes de enriquecerem o panorama visual, os designers precisam de comer. O que acaba por acontecer normalmente é que depois de comer, a preguiça apodera-se do corpo e da mente e puf, adeus ideia fantástica para mudar o mundo.&lt;br /&gt;Pode demorar alguns anos até que alguém confie no trabalho do designer e entretanto ele vai compondo a mesa com arroz de pato com lagosta.&lt;br /&gt;Concluindo: os designers não podem ser responsabilizados pelo acto criativo a partir do momento em que não considerados pelo cliente como autores da mensagem. Nesse momento, se o designer lança o documento final em condições de ser impresso, com a aprovação do cliente, desde que não ponha em causa a saúde e a liberdade de ninguém, tem o seu trabalho cumprido sem nenhuma culpa pela pequena merda que acabou enviar para o disco duro da gráfica. De uma vez por todas, os designers que não são interpelados enquanto autores, não são desculpa para a incapacidade que os clientes têm em se desprender do processo que o designer deve conduzir (esse processo é mais conhecido entre nós designers como Design de Comunicação).&lt;br /&gt;Eu bem sei que o clientes são os primeiros donos do trabalho, mas felizmente para nós designers também são os últimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-1875522973615520011?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/1875522973615520011/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=1875522973615520011' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/1875522973615520011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/1875522973615520011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2008/11/identidade-corporativa-e-autoria.html' title='&lt;b&gt;IDENTIDADE CORPORATIVA E AUTORIA&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-8827768940096378682</id><published>2008-05-26T16:10:00.000-07:00</published><updated>2008-05-26T16:11:38.201-07:00</updated><title type='text'>Um texto sobre as minhas coisas.</title><content type='html'>Têm-se escrito algumas linhas sobre o meu trabalho. A partir delas tenho vindo a reflectir de outro modo sobre o que faço e chegou a altura de organizar as ideias num texto. Vou tentar falar um pouco sobre um caminho recente que, perceba-se muito bem, não percorri sozinho. Vou também escrever um pouco sobre as razões de se conseguir estar na ponta da lança antes mesmo atingir o alvo: O segredo é muito simples. Quatro coisas: Respeito pelos mais mais desrespeitadores, muito respeito pelos mais desrespeitados e muitos trabalhos de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse André Sousa na Conferência Sobre Nova Emoção em 2006: "Saída da integração de Portugal na União Europeia, surgiu no grupo" (e somos para aí uns cem) "a noção de pertença a uma comunidade". Isso está intrínseco à nossa geração. A dimensão da cidade, no meu caso o motivo aglutinador da FBAUP, permitiu que vários grupos interligados por muitas pessoas se juntassem recorrentemente para discussões, debates, eventos, ataques e defesas. Ao contrário de Lisboa, no Porto as pessoas (pelo menos no meio da FBAUP) reagem com naturalidade ao confronto e à frontalidade, por mais desbocada e impertinente que seja uma deixa. Como me disse o disse um dos meus grandes mestres, Mário Moura (The Ressabiator): "Se uma discussão não for acesa, não vale a pena." E nessas discussões cometem-se erros que servem o propósito da discussão, crescer a tempo e horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião tudo isto tomou curso em tempo próprio para permitir que o Porto organizasse cinco anos antes do Grande Mundo, todo um conjunto de referências estéticas que já vigoram hoje em dia. Não tenho receio de designar o Porto como uma das cidades mais influentes no panorama internacional, por dois motivos principais, temos (porque os desenhámos) documentos que o comprovam, e porque estes documentos (posters, textos, músicas e outras obras) foram publicamente afixados para uma rede democrática, moldada pela desautorização e onde se desenvolvem e desenvolveram dos trabalhos mais interessantes da última década. Para mim Portugal, e principalmente o Porto, funcionou como microclima, óptimo para a criatividade. Eis o meu como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu caso, a entrada para a faculdade despoletou um crescente espírito inconformado com a suposta ausência de história de arte portuguesa. Por comparação com as situações socio-culturais das outras cidades foi fácil perceber que a inscrição na história não se fazia sem vontade. E por análise de momentos históricos anteriores, foi simples compreender que é sempre tempo de abdicar da perspectiva desconfiada sobre as revoluções tecnológicas em curso.&lt;br /&gt;Na internet implementaram-se com vigor nos 00's grandes novidades e uma essência de DIY (Do It Yourself) impossível de ignorar. Hoje, a meu ver, o designer contemporâneo já respeita e idolatra o design do povo. Porque é também mais simples tirar conclusões de acções espontâneas e menos educadas do que de acções controladas.&lt;br /&gt;Assim, o designer deve por seu lado tentar entender um conjunto de opções do Outro para melhor desenvolver o seu trabalho. Por outras palavras ainda, penso que um bom designer de comunicação pode ser tudo menos iconoclasta. Que deixe fluir o que não lhe pertence e conclua "do ar" das opções inconscientes da maioria das pessoas. Essas opções que marcam uma época, são o fruto da necessidade, e existem porque não estão limitadas à regra. Este espírito não existia na Holanda (país de rico de design demasiado estruturado para admitir o caos do FVM (Faça Você Mesmo)) há 3 anos atrás, altura em lá estudei durante seis meses e do qual falo por experiência própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo agora diferenciar a opção inconsciente/ingénua da opção estética obrigada. Essa deriva da ditadura das majors de software. Do mesmo modo que se pode influenciar um trabalho duma atitude menos consciente, também o designer (tanto como o não-designer), se pode render com simplicidade crítica e generoso reconhecimento do trabalho dos programadores das majors ao que se chamam os Presets. Os presets são as ferramentas estéticas dos consumidores passivos. Os consumidores passivos (estão em vias de extinção nos países desenvolvidos) oferecem poder de compra. Como referido no parágrafo anterior, mais importante do que o poder de compra, para o design das coisas, os consumidores passivos transparecem as necessidades do mercado. O modo como usam as mais recentes ferramentas criativas (quais lápis de cor! agora é hardware e software, gadjets e widjets) constrói a actual paleta de atitudes para o designer de comunicação.&lt;br /&gt;Essa paleta de atitudes está sempre a mudar. É isso que torna o objecto desenhado de acordo com os movimentos da massa, mais valioso. Um telemóvel antigo é de facto, para mim, um documento valioso. São notas de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes são princípios e observações que normalmente regulam a minha actividade e não quero deixar de os publicar numa altura em não cessam os ataques e, para grande felicidade minha, já vejo públicos comentários bem positivos sobre o meu trabalho. :) Aqui fica um abraço forte a todos os meus amigos que me têm ajudado a compreender o mundo como uma coisa nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais assunto de momento deixo os meus melhores cumprimentos a todos os se deram ao trabalho de ler este texto, agradecendo de antemão toda a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve, por aí,&lt;br /&gt;João Alves Marrucho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-8827768940096378682?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/8827768940096378682/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=8827768940096378682' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/8827768940096378682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/8827768940096378682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2008/05/um-texto-sobre-as-minhas-coisas.html' title='&lt;b&gt;Um texto sobre as minhas coisas.&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-6195220733199154985</id><published>2008-05-18T08:53:00.000-07:00</published><updated>2008-05-19T12:09:18.373-07:00</updated><title type='text'>É no Porto que vivo e é lá de dentro que escrevo.</title><content type='html'>Se eu quisesse escrever um texto sobre o panorama artístico do Porto e não me apetecesse falar nas galerias e na programação institucional (ou de programação a modos que tendenciosa e virada para si própria) escreveria qualquer coisa assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/?action=view&amp;amp;current=061006-arctic-monster_big.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/061006-arctic-monster_big.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Panorama artístico do Porto, sinto muito porque sinto que não existe nada dessa dimensão. Depois da integração da maioria dos jovens do Pêssego, do Olímpico, do Senhorio num mercado de trabalho, a galeria do Jornal Universitário do Porto é bem capaz de ser a nova excepção porque uns amigos das belas artes decidiram tentar programar o espaço desde há cerca de quatro anos. Mas também está a acabar. Eles programaram-no sem critério algum que não fosse o da maioria decide e o da lista de espera, com um mínimo de seriedade para afastar as bocas mal intencionadas. E, imagine-se, resulta! É por estas e por outras que cada vez mais acho que os artistas portugueses em bienais deveriam ser escolhidos por SMS. Com direito a publicidade institucional mais regrada que a política, tipo €500 para cada licenciado/artista/credenciado para fazerem publicidade e 5 minutos por ano na RTP2. Ou talvez não… Isto é mais falar por falar. Ou por ver entrar em falência um dos orgãos  vitais do passado do nosso corpo social. Aquele que garantia raros momentos de beleza. Hoje os sites de uploads de fotografia, vídeo, animação, curiosidades, enfim, a NET 2.0 encaminha-se para um sentido pro-criativo e a manutenção da sanidade mental da população parece-me estar assegurada… até mais ver. Porém, este ritmo de educação visual, creio, dará, dentro de poucos anos, o que passado uma década será apelidado do pior movimento visual de todos os tempos, O Lixo do Povo. Detritos visuais com potencial comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço alguma compreensão aos meus amigos que trabalharam e trabalham arduamente nas chamadas artes plásticas que por agora designo como do foro académico. Este texto não visa, de todo, formar-se como um ataque a colectivos ou a pessoas. Quero ressalvar desde o início que tenho o maior dos respeitos por quem hoje rema contra uma maré de tendências e sub-tendências do mercado. Todo o sentido irónico, cínico, mais ou menos humorista que pode ser subtraído deste texto, incide sobre uma série de princípios da Arte, que me parecem errados.&lt;br /&gt;Antes de publicar este texto conversei com um amigo  que me disse que como não me estou a especificar em Arte Contemporânea não tenho ferramentas para pensar a natureza da Arte. Não obstante, o faço, porque me parece que por comparação com outras disciplinas e campos de acção, posso chegar a conclusões tão válidas como as de quem se embrenha no novelo do discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no Porto que vivo e é lá de dentro que escrevo.&lt;br /&gt;Numa cidade pobre e velha não tem havido espaço para que grandes criativos se imponham. As novas indústrias, como as do lazer, tecnologias de informação, transportes, multi-média, não florescem porque o capital está trancado em famílias conservadoras que, em laivos de liberalismo burro, acham que um tipo tem que ser homossexual e pintor para ser um bom artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/?action=view&amp;amp;current=tank-1.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img style="width: 455px; height: 285px;" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/tank-1.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das opções sexuais para mim há duas posturas gerais que um artista pode tomar. Uma é envergada pelos os artistas que acham que toda a gente tem o seu quê de génio. Estes compreendem que os criativos para se inserirem de modo natural no mercado devem estar muito mais juntos da prática desportiva do que da filosofia e da política (sem nunca esquecer a ética da criação, digamos, o fair-play). No Porto também são conhecidos como desempregados criativos. A outra deriva directamente da academia. Estes, por defeitos de formação da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, abdicam da transparência da comunicação e optam por vender um enigma a 5000 euros a vender uma solução por €2,5. Algumas divas funky das artes clássicas que são estudadas (como as da instalação e da video-arte) ainda servem os panos de fundo para uns passeios. Mesmo assim nos dias de sol a malta já prefere a praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabemos que um dos mercados não espera que apresentemos soluções. Mas ainda não sabemos se existe mercado para a primeira postura de que falei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/?action=view&amp;amp;current=Leader_zzzmnjki17.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img style="width: 459px; height: 306px;" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/Leader_zzzmnjki17.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos  então os desempregados criativos como pessoas que têm jeito para detectar problemas e para propor modos de os resolver (nem que seja temporariamente). Não me parece que no Porto já haja infra-estruturas com credibilidade e capacidade para os acolher. Tem que acontecer uma mudança. As agências de publicidade são a coisa mais próxima da variação mercantil que deve acontecer. Na música por exemplo, os portugueses também têm delegado por norma as soluções práticas nos promotores de eventos e agentes. Existe uma explicação para esta norma: escolhendo artes clássicas que levem anos a fio na especialização não nos podemos afastar das rédeas hierárquicas. Como artistas, depois de optarmos por aprender mesmo a tocar violino (ou CSS/HTML/Action Script e Java Script), para estarmos libertos dessa grande maçada que é o ter que pensar em problemas banais (como o de saber qual é o melhor dia do mês para marcar um concerto), perdemos campo e capacidade de acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso:&lt;br /&gt;Hei és artista e os teus amigos estão virados para os seus umbigos? A sério? Então esquece isso e vem daí fazer cartazes e vídeos para as exposições deles, trabalhar em estratégias que tornem os produtos mais excêntricos em sucessos de vendas, vem policiar direitos de autor, ou projectar um novo edifício para concertos multi-média, …bora registar patentes. É aí que surge um imenso novo mundo de oportunidades de trabalho. Intermediários: uma espécie de parasitas que resolvem problemas quotidianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/?action=view&amp;amp;current=casapublicocontraste.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img style="width: 464px; height: 696px;" src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/casapublicocontraste.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Porto não dá nada disto. Os artistas com quem cresci têm vindo a baixar os braços e, pode ser uma noção errada minha mas parece-me que estão a desitir de tomar as rédeas do coche orientado-o no sentido nosso. Quase parece que deixaram de apresentar soluções e mesmo continuando bem intencionados, foram entrando em mercados a que eu não acedo por falta de capital. É que eu pensava que a revolução já estava a acontecer e não arranjei trabalho por ficar à espera do futuro (que bate o pé e não se apronta a tempo). Enquanto se espera, os artistas, têm sempre que fazer, e quando se não está a realizar um trabalho encomendado, pode-se estar a reflectir sobre a disciplina.&lt;br /&gt;As coisas tendem para o equilíbrio, eu sei, mas o Porto, no meio do terceiro mundo e da Europa lisboeta, saturada e desorientada, está muito enervado por  não conseguir sair da merda em que está. Aponto os dedos aos que nunca conheci mas que sei se passeiam por cá. Os que em Agosto, no Natal, na Páscoa e no Carnaval vão de férias. Esses que vão muitas vezes embora da cidade que fica para os pobres coitados que se assaltam entre si, ora dá cá aquela sala de espectáculos ora toma lá o comando da TV. É nas férias de nós próprios que mais nos vejo em qualquer comparação com uma cidade dum país saído de uma guerra civil. Culpa assente numa camada social com poder económico porque este marasmo vem da falta de coragem de quem pode investir e mudar as coisas. Enfim, a maior parte dos ricos do porto são uma cambada de invejosos que estouram o guito em multinacionais como a Ermenegildo Zegna ou a Porche. Forretas para os artistas de cá, e é por isso que a cidade está o que está. Sem uma indústria criativa de jeito. "Os bons fogem." É um cliché dizer isto sobre os emigrantes, mas ninguém os pode censurar porque ninguém deve ser testado desta forma. Acho que quando se tem capacidade de trabalho, visão, garra e talento é deveras ingrato ficar à espera tanto tempo de algo que não pousa no Porto. Uma espécie de presente europeu, era o que eu queria. É tão injusto para Portugal, porque Portugal precisa muito do Porto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-6195220733199154985?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/6195220733199154985/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=6195220733199154985' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/6195220733199154985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/6195220733199154985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2008/05/no-porto-que-vivo-e-l-de-dentro-que.html' title='&lt;b&gt;É no Porto que vivo e é lá de dentro que escrevo.&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-3616852318758124035</id><published>2008-04-11T09:39:00.000-07:00</published><updated>2008-04-17T15:57:02.226-07:00</updated><title type='text'>Serifobia</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;Agora Sem Pernas Se Fizer Favor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O designer gráfico enfrenta um novo obstáculo na cada vez mais aberta, mas nem por isso mais exigente, esplanada visual. A meu ver estamos perante um cataclismo visual eminente. Os designers preferem dar voz aos conhecimentos sobre microtipografia do cliente do que perder aquela sexcena de euros. As associações de designers não mexem uma palha para nos defender, e mesmo informar, porque há escolas que não ensinam isto aos alunos. Não é essa a minha função mas espero que este texto sirva para esclarecer muitas dúvidas que parecem pairar, mesmo dentro da própria comunidade de criativos.&lt;br /&gt;A trabalhar num atelier já tive de ceder à vontade que o cliente demonstrou aos meus patrões. Um outro tema bem pertinente seria um pensar sobre uma legislação específica sobre os concursos para criativos, arquitectos, designers músicos e outros artistas. Fica para outra oportunidade que tenha para defender e integrar saudavelmente o design e as outras artes num mercado liberal que se tem tornado sujo e auto-destrutivo por negligenciar a riqueza inata às disciplinas criativas&lt;br /&gt;Sinta-se à vontade para transcrever e citar este texto, e enviá-lo ao seu cliente para justificar uma opção sua. Peço-lhe no entanto alguma seriedade na citação. Por favor faça acompanhar qualquer excerto que retire deste texto, dos devidos créditos e formalidades, (Marrucho, João Alves, acedido no dia  __(o dia mês e ano em que acedeu)__, http://www.jamtexto.blogspot.com, Portugal 2008,). Ao que interessa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que hoje em dia, a grande maioria dos clientes recusa qualquer abordagem tipográfica onde se vejam aqueles pequenos tracinhos que costumam estar nas extremidades das letras. A maioria dos clientes não tem noção da complexidade da disciplina que exercemos e entende um designer como um tipo que sabe mexer nuns programas de computador e enviar trabalhos para as gráficas. Algumas empresas ainda conseguem evitar o habilidoso, e vão directamente à gráfica pedir serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não ser que se trabalhe para uma editora da indústria livreira, é muito raro quando aparece alguém que queira um tipo de letra com serifas (é assim que se chamam as perninhas). Muitos clientes, independentemente de fornecerem grandes ou pequenas quantidades de texto, pensam que a escolha tipográfica apenas se baseia em questões de gosto e estilo. Pior que isso, acham que têm tudo a ganhar quando interferem directamente no trabalho mais técnico. Não será decerto por maldade, mas antes por alguma ingenuidade: " -Caro designer, não quero letras com perninhas." E às vezes estão a dar um tiro no pé sem se aperceberem.&lt;br /&gt;Pois então, imaginemos que a canção é o discurso, a banda é o atelier e o organizador do concerto é o cliente/editor. O cliente/editor não deve dizer: "Desculpem mas ali têm de tocar antes com um sintetizador em vez do piano." — ou — "Acolá toquem um sol em vez do dó. Ok?"&lt;br /&gt;Não sendo eu contra democratização do design, pelo contrário, penso que a acessibilidade aos métodos de construção de objectos gráficos não será directamente porporcional à qualidade e à eficácia do design.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este preconceito anti-serifa é certamente fruto da proliferação do Estilo Internacional (que sucintamente, para quem não sabe, foi um estilo que surgiu na Suiça em meados do século passado que nas suas bases tentaria uma universalização da linguagem) pela grande maioria das imagens corporativas ocidentais.&lt;br /&gt;Assegurando um aspecto mais "técnico e profissional" à disciplina do Design, este estilo que usava grelhas ortogonais, tipos de letra sem serifas, com vincada aversão às expressões mais livres da ornamentação, tentou distanciar o design da decoração e das artes a que chamo por ora &lt;i&gt;não comerciais&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;A Helvetica é talvez a fonte sem serifas mais popular de todas e foi pretensamente usada dentro do espírito do Estilo Suiço como um neutro condutor da mensagem de cada palavra. Mas há que ter alguma atenção. A Helvetica não é, nem de longe nem de perto, neutra. É fria, impositiva, engraçada, elegante, sólida mas como não tem serifas, é difícil de se fazer escoar pela vista de quem procura passar de página. Hoje quando se aplica a um grande bloco de texto uma fonte como a Helvetica ou Arial, não está a ser-se imparcial, está a ser-se muito chato para o leitor.&lt;br /&gt;Naturalmente, a redução do conteúdo não se faz sem perda de informação. A forma é também conteúdo e funciona pelas mesmas leis. Less is More, é meramente poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A serifa não é só decorativa, é um elemento tipográfico com função. Alguns investigadores dizem que surgiu porque os romanos queriam equilibrar aglomerados de letras preenchendo os espaços vazios, outros porque simplesmente era mais bonito. Na minha opinião não é decididamente uma moda: Havia de ser bonito... o desenhador de letras tipógrafo a pensar: ora bem falta aqui um  toque de génio neste Y, deixa cá fazer-lhe uns torneados nas pontas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim fundamento a minha opinião:&lt;br /&gt;Existem obviamente situações em que a escolha de um tipo com serifas pode ser escusada. Quando se trata de texto com o propósito de ser reconhecido por máquinas (que ainda são arcaicas quando comparadas com o nosso cérebro), em aglomerados de palavras com corpos de letra grandes para anúncios que devem ser mais agressivos, em blocos de texto muito pequenos onde as serifas (por falta de lineatura ou deficiente capacidade de absorção do tipo de papel) se podem transformar facilmente em ruído visual, ou em ecrãs porque mesmo em corpos bem legíveis não têm resolução suficiente para reproduzir serifas para além de peças de Tetris (jogo elctrónico antigo) de três ou quatro pixeis. Acho que este encantamento recente pelas limitações das máquinas também faz com que se usem cada vez menos registos humanizados, e isto sim, parecem-me tendências de moda, interessantes, mas passageiras porque felizmente esperamos outras tecnologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas existem outras situações em que as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fonts&lt;/span&gt; serifadas não devem ser recusadas como por exemplo em textos de leitura longos.&lt;br /&gt;As &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fonts&lt;/span&gt; serifadas existem desde a invenção da tipografia e são descendentes directas, polidas e cuidadosamente estudadas da escrita manual. Uma das principais características da escrita cursiva é que por regra liga quase sempre as letras que formam uma palavra. As fontes não serifadas são bem mais recentes e desenvolveram-se sobre suportes que não permitiam interligação entre letras. A escrita cursiva tem também a vantagem e ainda é ensinada em muitas escolas por este mundo fora, porque não apresenta tantas dificuldades de aprendizagem, como a letra impressa (que tem letras espelho umas das outras como os &lt;span style="font-weight: bold;font-family:arial;" &gt;qpdb&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;O homem tem tendência para aprender sistematizando, agrupando elementos por semelhança, mas a comunicação verbal e escrita é demasiado rica para se poder limitar a estas leis. A variação ajuda a marcar diferenças e, consequentemente, a comunicar mais. Assim um  tipo serifado encontra-se normalmente desenhado para que ao mesmo tempo que mantenha sugerida a ligação entre as letras, estejam ressalvadas as idiossincracias de cada letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/?action=view&amp;amp;current=mrseaves.gif" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/mrseaves.gif" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes e outros pormenores dizem respeito à microtiporafia e não devem ser descurados na escolha de um tipo para um determinada função. Acho que não temos muito a ganhar por ver também perdido o estilo, a identidade e encanto que um tipo serifado ainda transporta. Um tipo de letra serifado é, regra geral, maduro, crescido, coeso e cuidado e a meu ver apresenta quase sempre particularidades deliciosas. Uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;font sans serif&lt;/span&gt; pode ser útil, produzida em massa e pode ser aborrecedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/?action=view&amp;amp;current=mrseaves_ligatures.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i164.photobucket.com/albums/u29/joaoalvesmarrucho/mrseaves_ligatures.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A utilização das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fonts&lt;/span&gt; com perninhas tem diminuido bastante em revistas e livros nos últimos 30 anos e como designer custa-me ver posta em causa esta rica e útil tradição da escrita. Deixo aqui uma última questão: porque é que as letrinhas pequeninas nos contratos com servidores de Internet vêm sempre em caixa alta (maiúsculas) e sem serifas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-3616852318758124035?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/3616852318758124035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=3616852318758124035' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/3616852318758124035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/3616852318758124035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2008/04/asem-pernas-se-faz-favor.html' title='&lt;b&gt;Serifobia&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-2509834758238483881</id><published>2007-05-16T08:40:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T08:58:24.533-07:00</updated><title type='text'>A revolução está a acontecer durante o teu sono.</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Comentário afixado no blog Whiteponycab de Isabel Carvalho!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ninguém tenha grandes ilusões: não se sobrevive muito tempo nesse estado de graça e "reinventar" a postura alternativa exige um cada vez maior golpe de asa. Quem se achar à altura ou encontrar em si a bravura, by all means, boldness in the attack.&lt;/span&gt; "&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Jack Lecrak&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estamos para isso amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Olha quem ele é! Agora é que isto vai dar para o torto..."&lt;br /&gt;Sim, sim... caríssimos amigos, sou mesmo eu...  Qual João Fernandes? Qual Isabel Carvalho?! Agora sou eu. Para já podem arrefecer essa euforia e prestar atenção, se fizerem o favor, que eu quero falar.&lt;br /&gt;Já há algum tempo que não dedicava tempo a textos, mas estas torrentes de comentários, são fenómenos raros e raramente me deixam indiferente. Esta então! É demasiado tentadora para deixar passar ao lado. Que grande público tenho... E como isto já está pela hora da morte aqui fica o meu contributo para acabar de vez com as participações, e para ao mesmo tempo propor um tempo indefinido de reflexão aos que me lêem. Para quem não me conhece, o meu nome é João Alves Marrucho, filho de José Albino Alves Marrucho e de Maria do Céu Antunes Martins, irmão de José Pedro Martins Marrucho. Sugiro um Google ao meu nome para saberem com quem se metem nestas andanças. Mas chega de introduções, e psst, tu lá atrás, se quiseres rir, conta aí a anedota para toda a gente se rir ou então sai da aula e deixa trabalhar quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então juntam-se à conversa sobre estas coisas e não avisam? Típico. No mínimo um e-mail pessoal! Antes o Zé Maia ainda me encaminhava, mas depois deixou-se disso, ele é contra a privatização da cultura e receia certamente que lhe apronte alguma em público. Já lhe tentei explicar que a cultura existe sem ser ordenada pelo estado, mas o homem teima em não aceitar o facto. Sem rancores. A sério! Fico mesmo contente por poder ler estas coisas aqui. Alguém comentou que a próxima geração de artistas portugueses se há-de insurgir contra a que por enquanto é documentada. Permitam-me então que a introduza, mas sem muito mais espectativas. Só o eterno presente o diz. Ante-ontem um dos poucos artistas que se prentende inserir de modo afirmativo nestas rambóias, durante um ensaio de campo para um filme sobre a minha pessoa, disse-me que andava a ler o blog errado. Só a muito custo lhe consegui sacar as indicações sobre como vir aqui parar. "-Faz uma pesquisa a Isabel Carvalho, logo em cima encontras. Agora não me lembro do nome do Blog, mas é dos primeiros." Num queria dizer o sacana. Típico. Agradeci. Ontem fiz noitada a ler atentamente todos os comentários e foi com base neles que redigi o meu.&lt;br /&gt;Parece-me que a discussão, ao contrário do que foi escrito ali para trás, decorreu em tom mais do que aceitável. Por isso, pessoal, deixem-se piquinhices e admitam que a discussão vai num nível relativamente exigente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem me lembro a questão inicial era: O que significa ser um bom artista em Portugal? Significa no mínimo saber Inglês fluído, sem ironia. Verdade seja dita, nunca vi ninguém a queixar-se do Calgonit Power Ball com Protector Action e Protective Skin. Se é quadros e desenhos valiosos, implica-se... se é comunicação para massas, deixa-se andar. Isabel, para próxima quero isso em francês e com direito a uma Lap Dance. Ok? Dou-te dois euros e ficamos quites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareceram algumas tentativas de resposta. Vou agarrar em algumas porque as julgo dignas de retorno e porque me permitem estabelecer um fio condutor ao meu discurso.&lt;br /&gt;A Lígia disse:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não há meios termos, ou se resiste ou não - é a lei do mais forte, irónico darwinismo capitalista adaptado ao mundo das artes.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Apesar de realista, nesta afirmação admites com demasiada dificuldade a que me parece ser a solução mais viável para que possa continuar a existir espaço para as experiências artísticas nossas contemporâneas. A assunção do capitalismo liberal como amigo. Empresas de Arte. Estamos demasiado presos aos lugares comuns dos discursos sobre as "artes de ponta". Além destas descrições bem representativas, que tal pesarmos a sério sobre soluções igualmente integradas e realistas? Estamos num país paupérrimo e não nos podemos dar ao luxo de gastar muito com as mais finas artes.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A diferença para outros países (...)é que tanto o Estado como os privados se encontram numa posição, e com mais vontade, de reconhecer e de apoiar os projectos culturais. Os apoios são em maior número e mais diversificados, em exposições, bolsas, residências artísticas, e um largo etecétera&lt;/span&gt;."&lt;br /&gt;Quanto aos apoios privados, concordo que existam vontades e meios.&lt;br /&gt;No entanto, neste tipo de discussões não podemos confundir vontade com poder económico assim com nunca podemos confundir cultura com Belas-Artes. Mas, Lígia, percebe-se onde queres chegar. O apoio às artes mais extravagantes na Europa, revela-nos facilidades para os artistas que lá trabalham, que também gostaríamos de ter.&lt;br /&gt;Relativamente à acção do Estado: É óbvio que o Governo português tem que ter prioridades e, como é compreensível, a saúde, a educação, a acção social, as vias de transporte e comunicação de massas, podem ser consideradas mais importantes. Questões de sobrevivência... E se for necessário (espero sinceramente que nunca aconteça) cortar radicalmente todos os apoios aos museus e teatros para que quando estiveres doente e com fome possas ter um sítio decente, transporte ecológico gratuito, e uma estrada para lá chegar sem buracos, ao lugar onde te recompores. Ou tenhas internet gratuita em todo o lado, não preferirás abdicar das exposições e das peças de teatro financiadas pelo contribuinte? Afinal de contas, não são os impostos dos actores e utentes dos teatros (amigos dos actores e dos encenadores) que pagam as contas da luz do Teatro Carlos Alberto. São os dos nossos papás que nem 20 dias de férias têm para ver a 365 peças de teatro por ano. Os tempos mudaram e a cultura com eles. Acho que isto pode mesmo ser considerado um pensamento de direita pelas definições que por aí aparecem mas, caramba, é por direitos básicos. Ou é só impressão minha? Eu fui formado nas Belas-Artes e sei bem o que custa apresentar esta cara de aparente arrogância na recusa das ajudas. Assim, nos próximos tempos, o nosso papel poderá ser mais virado para a intervenção com fins lucrativos (sem esquecermos o bem que podemos trazer ao ambiente que nos envolve) do que para uma subsídio-dependência que garanta liberdade às nossas bizarras representações e apresentações escanifobéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ver se estava a dizer algo com sentido acabei de colocar a seguinte questão a uma amiga com que estou agora:&lt;br /&gt;Se hoje vivêssemos numa ditadura cultural global e fosse exigida à população mundial um voto único e acerca da literatura (Letras a título de exemplo), em qual das seguintes opções votarias:&lt;br /&gt;1ª—Fazemos desaparecer toda literatura que não seja manual escolar, manuais de instruções, ou textos sobre suporte digital, (entenda a erradicação completa de todos os livros que não sejam pedagógicos e a desactivação total da Internet)&lt;br /&gt;2ª—Ou fazemos desaparecer todos os livros que sejam manuais escolares, manuais de instruções e a Internet?&lt;br /&gt;A resposta dela (foi a segunda) é representativa do egoísmo que as classes instruídas tentam esconder, cada vez com mais dificuldade (porque o Saber ainda anda de mão dada com o Poder): "Obviamente que preferia que mantivessem o livros que não são manuais escolares, manuais de instruções ou que não estejam na internet!" Fiquei triste porque ela prefere ler o seu livrinho do Perec do que garantir que a aprendizagem da leitura seja feita mais facilmente. Artista de formação... Licenciada dentro em breve... Esse impedimento à livre reformulação cultural, é em meu ver tão mais perigoso do que qualquer ideia de direita referente à auto-sustentablidade das artes! Preferir os Snoopys aos blogues! Como pode ser tão óbvio?&lt;br /&gt;Isso significaria um total atraso na evolução da nossa sociedade e não podemos ficar presos a modelos tão arcaicos.&lt;br /&gt;Aproveito para afixar e tentar responder à pergunta da Aida: "Achas que os artistas querem mesmo trabalhar, ser “artista trabalhador”, a tempo inteiro?" Eu acho que não estão muito para aí virados, porque a educação artística portuguesa pós 25 de Abril armou-se de clichés de esquerda, fechou-se em copas e, então, não acreditam muito nessa solução. Pensa-se sempre que é um esquema estranho que só para atingir riqueza pessoal velozmente. Já gozaram os gajos do Grande Prémio de Desenho "Crie a sua própria empresa", mas contas feitas, ninguem tem outra saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução Holandesa?&lt;br /&gt;"...a Holanda tem um contexto artístico incrivelmente dinâmico, com espaços geridos por artistas, residências (estas de extrema importância para os contextos pois determinam um mobilidade e crescimento dos artistas) espaços intermédios financiados pelos municípios, ou fundos nacionais, fundações, instituições -- (não menciono galerias comerciais - sei - mas daí normalmente vem pouca inovação ou discussão para o discurso artístico - regra geral, não quer dizer que não haja excepções)..."&lt;br /&gt;Eu também lá estive uns meses e achei tudo demasiado cor-de-rosa. E uma grande seca, mesmo. Voltei a Portugal porque ainda é bom poder evitar aquilo em que eles se tornaram, um país sem identidade alguma, com tudo organizado ao ponto de não precisarem de sair de casa para  resolver os problemas com os amigos.&lt;br /&gt;O exemplo MaqueDonaldizante, (eles próprios se figuram como campo de ensaio dos mercado americano) da Holanda apontou numa direcção que pode muito bem conter os princípios de algo positivo. No entanto falhou em muitos aspectos! A Neederladse Spoorwagen (CP lá do sítio), por exigência dum investimento público na arte, estampa réplicas de Mondriãs no interior das carruagens. Os problemas mantêm-se e muitos putos andam insatisfeitos por lá. Aqui Empresas de Arte precisam-se, dirigidas por artistas-comissários. Empresas de Arte precisam-se. Sem ironia alguma. Auto-suficiência precisa-se. Ainda exemplificando com a Holanda, é normal existirem, mesmo em pequenas cidades, "lojas" de aluguer de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão das bolsas de investigação:&lt;br /&gt;"Penso que o apoio às artes, ao trabalho criativo, estará mais perto de uma espécie de “bolsa de investigação”."&lt;br /&gt;Olha que esta! agora!! Como pode ser considerado o processo artístico uma investigação, se raramente se propõe e, na maior parte dos casos, recusa mesmo chegar a alguma conclusão. E mesmo que o Estado caísse na nossa esparrela, como disse a Maria Assis: "Olhem o que está a acontecer aos nossos investigadores, a partir dos 38 aninhos estão fodidos, não há bolsas nem programas comunitários que lhes paguem o ordenado..c'est la vie, a sociedade tardo-capitalista é assim."&lt;br /&gt;A meu ver, o significado, o papel e o resultado/obra do artista contemporâneo português não poderá contornar por muito mais tempo a profissionalização. Se queremos poder, temos que ter responsabilidade. A residência artística, por exemplo, será bem mais viável assim que os artistas percebam alguma coisa de economia, a partir do momento em que o artista contemporâneo português descubra que para sobreviver tem de produzir e viver dos rendimentos dessa produção. Se não encontrar modo inteligente e/ou belo de o fazer pode sempre dedicar-se aos galos de Barcelos coloridos com cores neon, e abrir uma loja de artesanato contemporâneo! Porque não? É relativamente seguro, garante algum retorno monetário, e fica bem em qualquer lado. No campo da música, funcionará às mil maravilhas, convidas um tipo de quem gostas do trabalho, dás-lhe guarida e um estúdio improvisado, e em troca, ele dá um concerto, fazem-se uns trocos e deixa-te um álbum para venderes.&lt;br /&gt;A dura verdade é que grande parte das tipologias de arte está a ficar em desuso. O que aconteceu à Ópera, não tardará a acontecer ao Teatro, e mesmo às Artes Plásticas se nós não admitirmos trabalhar fora dos formatos antigos.&lt;br /&gt;Concordo em parte com o que o João Fernandes disse aqui: "Há uma falta de estratégia para a cultura por parte do poder político e cultural em Portugal, seja ele nacional ou autárquico. Uma das suas faceta mais visíveis é a falta de apoio aos jovens criadores em todas as áreas culturais." Mas deixem-me esclarecer esta falácia com que que o Diretor de Cerralves nos pretendeu seduzir. Uma das facetas mais visíveis dessa estratégia são os crescentes cortes orçamentais à cultura erudita. Olhe, João, a importância dada aos projectos relacionados com as novas tecnologias de comunicação, subiu drasticamente, nos últimos anos. Têm feito algumas coisas despropositadas, como o TGV, que nos leva a Madrid por 20 ou 50  euros em quatro horas, quando hoje já conseguimos ir e voltar de avião em pouco mais que uma hora, por 25 euros (low cost). Já agora, tenho quase a certeza que a Mafalda deve ler isto: Porque é que não dizes ao Ministro das Finanças para falar com o da Educação para inserir a disciplina de Introdução à Economia no último ano todos os cursos secundários, Artes, Ciências, Humanidades, Informática... Salazar, o grande economista, pior, o grande protuguês guardou as contas para ele, e 35 anos depois ainda saímos da escola sem saber o que é o IRC, ou como preencher um recibo verde! Sem ofensa alguma pessoal mas, caros amigos, é nesta a classe artística em que vivemos, dominante, mas sem acção que vá para além da Arte enquanto disciplina encerrada nas suas próprias possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre isto:&lt;br /&gt;"O que vos preocupa não é tanto a visibilidade, mas antes o reconhecimento e a consagração. Ora perdoem-me que vos diga que considero que estas três questões deverão surgir como consequência natural da especificidade de uma obra, ou então de muito pouco vos servirão."&lt;br /&gt;Caríssimo, desconhece o meu trabalho. Não o censuro, porque como vocemessê há muitos. Mas "is it so wrong to crave recognition"? Eu ando a exigir isso aos meus amigos e às pessoas próximas que usam o meu trabalho. Tem que ver com transparência. Ao contrário do que me parece ser a postura de muito boa gente, não lho peço a si, porque sei, não tem essa competência, e muito menos me parece apresentar a solução. "A cultura gerada em pequenos círculos sociais (marginalizados e punidos por essa expressão cultural) acaba por nos ser servida para consumo." E eu já estou farto dessa treta. Peço antecipação para que a sirvamos nós próprios. Ou pensa que quero uma canequinha ilustrada com as minhas engenhocas vendida por aí (post-imigração ou mesmo pós mortum). Congratulo-o por toda a atenção que tem dedicado à malta. Se calhar até é suficiente para o que gente quer.  Uma salinha no Museu? Ou um pic-nic nos jardins da Fundação?&lt;br /&gt;E já agora, não lhe posso deixar passar o seguinte comentário sem um reparo pessoal:&lt;br /&gt;"fórmulas tão estafadas como o fanzine, a ilustração de vaga referência “underground”, a ironia grosseira sobre a arte, a performance que não adianta um chavelho a uma história da performance rica em situações de provocação sexual, política e estérica que as vossas parecem apenas caricaturar."&lt;br /&gt;Não pense que os fazedores de fanzines estão preocupados com a brava história da perfomance rica em provocações sexuais, políticas e estéreis! A cena é que a fanzine é um formato barato! De execução rápida e para esta gente que nós hoje somos, escrever, fixar, publicar em suporte físico ainda é muito importante, como certamente o é para si. São os processos de auto-legitimação a que até as instituições como os museus recorrem. Ou não tivesse Cerralves metida na agenda editorial, aliás, na prateleira, de tudo quanto é ministro e figura pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No entanto, as águas não deixam de estar turvas: perdoem-me que vos diga desde já, caros(as) artistas"&lt;br /&gt;Pois sim. Pois sim. Mas cada vez menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com a experiência que tenho de situações semelhantes, asseguro-lhe que este meio não é o melhor para se manter uma discussão com interesse e relevância."&lt;br /&gt;Isabel Carvalho&lt;br /&gt;Pshht. Quieta aí senhora. Deixa aqui estar isto que está muito bem! E já agora o que é esta coisa?&lt;br /&gt;"Tenho quase a certeza que estamos de acordo que mais espaços de exposição, diversos, com estruturas organizativas semelhantes às galerias culturais, aos Museus, aos Centros Culturais, aos espaços geridos por artistas, ou com novas estruturas, talvez concebidas por nós, seriam muito importantes para todos."&lt;br /&gt;Parece interessante mas explica melhor por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas citações mais ou menos pertinentes e devidos comentários:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porque desvaloriza joão fernandes os "artistas locais" ao mesmo tempo (literalmente) que lança um livro (posição: 2007) com o selo de serralves sobre os mesmos?"&lt;br /&gt;Lord Shaftesbury&lt;br /&gt;O  desvalorizar num sei se concordo, mas o livro será porque hoje a história se escreve em tempo real e é preciso documentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"...não me parece que um artista "alternativo" possa, por este título apenas, posicionar-se num jogo da glória moral. A contribuição que faz é de sua exclusiva responsabilidade e estará sujeita ao escrutínio do tempo como qualquer outra - em retrospectiva, apresentar-se-á em igualdade de circunstâncias com os "consagrados". Talvez seja ingénuo pensar assim..."&lt;br /&gt;Jack Lecrak&lt;br /&gt;Pois é ingénuo, sim senhor. E de novo repito, a história hoje escreve-se em tempo real, e se nós já pouco escrevemos sobre os consagrados, quem nos virá escrever?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A liberdade que os espaços alternativos no Porto nos deram é preciosa e única.&lt;br /&gt;  Julgo que se está a marcar uma diferença significativa relativamente ao resto do país e da Europa."&lt;br /&gt;Anonymous&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"como em tudo na vida... há os que esperam por boleia e os que se fazem ao caminho. A nenhum destes agrada a opção do outro, mas isto só se torna um problema quando não há mundo suficiente para todos. How often do you want your fifteen minutes?"&lt;br /&gt;Anonymous&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"k 15 minutos?! aki ninguem ker 15 minutos? aqui so se ker melhorar as coisas e isso implica dizer, eu tou aki, eu existo, e logo torna-se necessario o uso da palavra visibilidade. akela k fica à espera no seu buraco caladinho bem k apodrecer so k nem um cão. nem fora sabeis ser!"&lt;br /&gt;Mauro&lt;br /&gt;Mauro! A metáfora é boa e didáctica. Num futuro muito próximo, toda gente pedirá 15 minutos de anonimato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos na periferia da periferia, e temos consciência da nossa posição, no entanto não foi por isso que se deixou de fazer mais e de tentar o melhor. Provavelmente surgiu o momento de dizer que estamos atentos."&lt;br /&gt;Isabel Carvalho&lt;br /&gt;Mais que isso, chegou o momento de agirmos responsavelmente. A periferia está na moda, aproveita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"vejo pouco discutir-se o papel e o lugar da arte, de uma forma pragmática. Não estou a falar de discursos estéreis sobre "o que é a arte?", mas sim do papel de uma arte comprometida e, principalmente, da sua eficácia. Porque a mim, sinceramente, é o que me preocupa."&lt;br /&gt;Catarina&lt;br /&gt;Finalmente a melhor arte está a passar a assumir o seu papel comunicativo e transparecer os seus processos. O ghetto ganha com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim findo,&lt;br /&gt;Parabéns a todos os que participaram nesta discussão.&lt;br /&gt;Com os melhores cumprimentos,&lt;br /&gt;João Alves Marrucho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-2509834758238483881?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/2509834758238483881/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=2509834758238483881' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/2509834758238483881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/2509834758238483881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2007/05/revoluo-est-acontecer-durante-o-teu.html' title='&lt;b&gt;A revolução está a acontecer durante o teu sono.&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-2733591457922565688</id><published>2007-01-09T09:15:00.000-08:00</published><updated>2007-01-09T09:22:13.145-08:00</updated><title type='text'>Ainda concordo com o que disse em 2005</title><content type='html'>&lt;b&gt;That's it! I need to relax... I'm going to Portugal.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Vêm de fora, fazem música e gostam muito dela. Ariel Pink e Panda Bear tiveram direito a 2 páginas no Blitz (honra nenhuma) e 2 horas no Passos Manuel. Pelo que li, não têm a mania das grandezas. Vêm de uma pequena editora dos States (Animal Collective) (têm a sua própria (Paw Tracks)) para andar em digressão por Inglaterra, França, Portugal. Acho que os Animal Collective também são uma banda... sei que para muitos lançaram um dos albúns do ano (estou a ouvi-lo agora e digo-vos que é muita marado! Mesmo bué da louco! Assim... tótil maluco! E muito sofrido. Uma curtição dolorosa...) Sei que os concertos no Porto correram mal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ariel Pink (na entrevista do Blitz era só um mas ao vivo eram quatro): A ideia, segundo fontes seguras, e digo-vos que não passam essa ideia quando actuam , é o "back to the tapes", o regresso da fraca qualidade de reprodução sonora. Mas parecia mais que tinham as frequências médias-altas (acima dos 1500 Hz) demasiado puxadas. Para ser sincero, as colunas do Passos Manuel passaram por colunas de feira, de festa de aldeola, de carrinhos de choque... Altamente, se não fosse a dor de cabeça que provocaram passados 40 minutos daquilo... Mas transbordaram muito mais ideias... como o "estou-ma cagar, eu quero é curtir o meu som independente e alternativo, ou o sou muito sensivel e tribal-pop-elétrico-barulho-música-díficil-não,não-e-não"! Pelo menos hoje!&lt;br /&gt;Como já disse, estou a ouvir Animal Colective e parece-me que isto até nem é nada mau. É muito bom até, comparando com os Ariel Pink que hoje ouvi. E mesmo o Anthony Cole, que segue os Animal Collective na minha "playlist", me parece d'oiro-masterizado. Já para não falar do Anthony Rotther e de Apparat Organ Quartet...&lt;br /&gt;Quando acabou o primeiro concerto o desdém pelo público acentuou-se, os quatro elementos sentaram-se em rodinha no palco durante três ou quatro minutos como se fossem fazer um piquenique, não sem antes agradecerem com o já habitual Hobreegahdow. Na suas declarações ao Blitz afirmam respeitar e compreender as posses que ficaram para nós, dos Beattles, do Chuck Berry, dos antepassados que falavam ao microfone explicando o que se iria passar a seguir, tipo: intervalo de 5 minutos para um cigarro ou não saiam dos lugares que o próximo concerto vai já começar. Saí arreliado sem saber se devia ou não abandonar a sala e fui reclamar da falta de profissionalismo ao que me responderam: -Eu respondia-te mas era demasiado chato... -e com o baixista calmo, que me disse que sabia perfeitamente que os agudos estavam exageradamente puxados... Fiquei muito irritado. Uma nota positiva para a apropriação das melodias pop típicas dos anos 60...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Signer (Carpark): "Mostrou que sabia das suas responsabilidades como músico." Temas bem produzidos, de boa estrutura, com boa equalização. Teve algumas falhas de comunicação com o técnico de som, o que o fez interroper a segunda música. Convidou uma moça que não afinava nem por nada para cantar com ele (os dotes vocais também não eram o seu forte) e o concerto acabou quando ele lhe pôs uma maraca na mão durante uma pausa da batida e ela começou a marcar um tempo que só existia na música da cabeça dela... a batida fixada reentrou, o Signer esperou dois compassos para ver se a rapariga atinava com o tempo e depois baixou o volume de todos os canais e disse adeus... Freakalhada sim. Mas não nas minhas músicas... boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os terceiros não comento porque saí a meio, mas o Pedrito disse-me que foram os melhores da noite... Correu muito mal.&lt;br /&gt;Ou então eu não estava melancólico e alienado de tudo o que penso saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal temos tudo o que eles têm na Alemanha ou na Áustria ou nos Estados Unidos... E ainda nos temos. Temos pessoas dedicadas, talentosas, meninos certinhos, génios habitantes do underground, droga, temos melhor futebol, o mesmo software, temos computadores, livros em muitas línguas, também carregamos o peso da mão de obra barata e dos empresários corruptos. Mas temos mais sol que dá outra luz às câmaras amadoras. Somos mais relaxados. Também possuimos casas e caixas de ovos. Temos esferovite e fita-cola de dupla face. Temos bons estúdios para os mais exigentes que se alugam aos mais providos. Perfumes, T-Shirts, calças de ganga rasgadas, spray vermelho para pintar cães, a Media-Factory, Espanha aqui ao lado, distribuidoras, putos rasos, velhos do restelo, técnicos especializados, iliteracia e dislexia, catálogos alemães com material barato, baterias eléctronicas e adufes, discotecas, danceterias, salas de espectáculos que servem de modelo à nossa vida social, teatro, cinema, escolas, a necessidade de banalizar tudo o que nos rodeia. Somos donos da pior auto-estima e preferimos sempre importar muito.&lt;br /&gt;Meus amigos (no irónico sentido da palavra) Fodei-vos porque a partir de agora e até mais ver só toco no Porto por muito e/ou se me apetecer muito, com direito a bebidas e guest-list à minha medida (e ainda nem sequer tenho um álbum editado). Continuai nas Gigis, nos Suplys, no Passos Manuel, nos Maus Hábitos, no Contagiarte, no Bazaar, no 31, no Hard Club a ouvir DJs. Força na queixa da falta de hipóteses que eu não vos as apresentarei (e sei-as). Dai com energia na coca para chegarem a esta auto-estima natural do Fundão, dançai de felicidade. Entrai na boa onda e criticai entre risos descontraídos as tomadas de posição. Façam a festa com menos um músico português. Acordem e ponham sempre a tocar um disco importado e subscrevam as actuais políticas de gestão cultural.&lt;br /&gt;Choro a humildade dos músicos a sério. Perdoem-me mas eu não vivo disto e posso dar-me ao luxo de me estar nas tintas.&lt;br /&gt;Ouvir dizer às pessoas mais próximas da produção de música em Portugal que isto não vai a lado nenhum acontece-me dia-sim, dia-não. Antes concordava. Agora, ainda mantenho razões de queixa começando pelas "arriscadíssimas" reinterpretações de Amália passando pelos revivalismos de António Variações e acabando nas electroniquices de Madredeus. Valha-nos deus... Não há plataformas nem estruturas que suportem os novos criadores, não há bom gosto, não há profissionalismo, o jazz está no mesmo sítio e continuamos a ouvir standards todos os dias ou o extremo oposto nas composições de fusão dura. Os músicos a sério (refiro-me àqueles que estudaram ou estudam música) não arriscam e até aos 25 anos pensam que ainda têm de solidificar muitos conhecimentos. E têm razão, mas não há nada que os proíba de arriscarem, e de ouvirem e fazerem outras coisas senão o que estudam... Estamos num tempo de permissividade, de transdisciplinariedade, e é do lado da permissividade que eu falo. Também do lado do meu senso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-2733591457922565688?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/2733591457922565688/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=2733591457922565688' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/2733591457922565688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/2733591457922565688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2007/01/ainda-concordo-com-o-que-disse-em-2005.html' title='&lt;b&gt;Ainda concordo com o que disse em 2005&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-4192975458185459429</id><published>2006-12-28T16:19:00.000-08:00</published><updated>2006-12-28T16:26:57.286-08:00</updated><title type='text'>Desenvolvimento de um texto anterior</title><content type='html'>Os fenómenos mainstream são um sub-produto de sub-culturas. São um conjunto de re-fazeres, produtos tipo, de liberdades e convenções minoritárias. Diz-se, então, que os produtos globais, aqueles consumíveis pela massa desinformada dos contextos onde os produtos foram criados, são um ponto, passível de leitura “sem preocupações de causa e de de efeito” (citando de modo livre Heitor Alvelos). Autónomos porque podem ser lidos sem introduções nem epílogos, não recolhessem os seus produtores conclusões testadas nos mais restritos ambientes, não soubessem eles mais que muitos empresários da indústria do entretenimento que em vão tentaram criar uma disciplina chamada Marketing que não passa de uma introdução muito arcaica à economia da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cave fechada a sete chaves não é senão um laboratório com mais impurezas mas menos falível que um teste de estúdio de uma multinacional. O estúdio é o laboratório que cria a fórmula, a cave é o país terceiro-mundista, em vias de desenvolvimento, que lhe serve a inspiração e confirma a atitude prometendo mercado. Não voltámos ao mesmo. Nos zeros, não podemos pensar que a zona de ensaios, a garagem, está isenta de moral ou consciência. Ou seja: o terreno intermédio que a ideia ocupa por si mesma não é alheio a uma série de mandamentos por escrever, subentendidos nos actos, nos modos, enfim, na cultura. Infelizmente existe a tendência defensiva tomada por muitos comunicadores que os faz virar para um posicionamento anti-global porque, aparentemente, os choques culturais parecem invalidar-nos todo um sofrido conjunto de valores construídos em realidades sociais isoladas, que até há pouco tempo estavam distantes. Prefiramos antes julgar como bom serviço o código por que nos vamos entendendo. Aquele que os produtores de cultura massificada disponibilizaram, aquele que decidimos usar e fomos enriquecendo. Quantos contos e fábulas perdidos num país nórdico não foram re-apresentados pela Universal City Studios? E o que seria da Alice e do País das Maravilhas se a Disney não nos pusesse a coisa em cassete e DVD?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estuda comunicação não pode desinteressar-se pela problemática inerente à tradução da mensagem, ao meio que a veícula, como dizê-lo,,, …ao conjunto de novas possibilidades narrativas que aprendemos a fazer na passagem da conversação directa, diálogo ou debate (onde o entendimento contextual é colectivo), para a comunicação em que o afastamento entre o emissor e o receptor é dado adquirido a priori. No processo distanciado, o desconhecimento da autoria (desinformação inicial) e a dúvida presente até ao momento em que a reação é recebida (feedback que confirma o sucesso ou insucesso da transmissão) geram um imenso campo de actividade ainda pouco explorado no design português e na grande maioria dos produtos comunicativos portugueses. Este momento acarreta consigo a natural intensidade da espera entre o momento em que o grito para um vazio é lançado até ao momento em que ele regressa. Ele pode ou não ser enriquecido. Com menos poesia: quem ousa a fala, não deve falar por falar… Deve sim, arriscar consciente, compreendendo a responsabilidade que tem sobre a mensagem, percebendo os modos em que ela pode ser deturpada. Num cenário global, e contrariando em parte a ideia que McLuhan fazia do processo comunicativo, penso que o sucesso da transmissão da mensagem, não depende somente da análise correcta do meio. A satisfação do resultado visado pelo emissor prende-se mais ao tema e relevância da mensagem que ao seu desenho. Assim como uma carta sem interesse só não regressa porque o emissor lhe virou as costas no momento em que a lança. Vou tentar fazer uma sistematização do que falo, uma vez que sinto discrentes e sem precisão de ataque muitos daqueles que cultivaram e consolidaram as suas estratégias comunicativas, acções e ritos sociais antes das possibilidades “hiper-narrativas” potenciadas pela evolução dos tecnológica dos meios de comunicação contemporâneos. Estas distinções são beneficiadas porque são pensadas de modo lato, servis a uma composição de dois terminais ou a um universo de cinco mil terminais. Note-se que o sistema que aqui está descrito também não tenta especificar demasiado a sequência temporal dos momentos e menos dos processos que neles e deles decorrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://farm1.static.flickr.com/166/336763752_075388c901_o.gif" width="400" height="600" alt="diagrama_marrucho" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Processo Comunicativo Banal&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entenda-se que qualquer um destes momentos possui poder de veto quanto ao diferimento do processo. O próprio meio pode amplificar ou anular o objectivo. Talvez seja essa uma das razões pela qual ganhamos confiança ao gravar as diferentes fases de um processo. É pelo menos por isso que eu favoreço a opcional publicação dos segredos em deterimento do agenciamento estatal ou privado da informação. Porque, apesar da petrificação que o caos que a liberdade de circulação de ideias irá causar numa fase inicial, o meio (em conjunto com o senso de cada comunicador) tratará de desviar as atenções das regras paradoxais pelas quais ainda pensamos que regemos este fenómeno. Talvez só a custo de uma intensa humilhação causada pela exposição publica possamos compreender a nossa natureza o propósito da comunicação. Pelo menos desse modo não se corre o risco do regresso ditatorial à maioria das civilizações. Esse perigo é eminente nos processos de confidencialização a gestores de informação que agora estão a decorrer. É-me impossível dar ao discurso sobre a troca de dados e comunhão de ideias qualquer atributo tautológico positivo se muitos ainda pensam que Liberdade de Imprensa, Sigilo, Educação, Religião, Segredo, Neutralidade da Rede, Iconoclastia, e Propriedade Intelectual não potenciam valores antagonistas e desentendimentos. Um dos maiores problemas da contemporaneidade, é precisamente a passividade da qual as massas dos países desenvolvidos se recusam a sair. O conforto da narrativa fechada é sempre mais sério e menos lúdico que a interactividade. Repare-se como os produtores de novas tecnologias se aperceberão do facto e como começarão em breve a debitar artigos interactivos cujos sistemas sejam controláveis. Fartos de hiper-actividade assistiremos descansados ao regresso aos circuitos fechados. Por uma questão de estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Actualmente vivemos o registo mais intensamente que o próprio momento. É nele que compreendemos a maior parte da nossa existência. A fixação das situações vividas que nos coloca em nós próprios pelo confronto. Os jovens compreendem muito bem este processo melhor, porque o vivem há muito, e até agora, sem terem tido necessidade de lutar pela liberdade, foram educados paralelamente à explosão informativa e publicitária. Coisa das últimas 3 décadas. As próximas gerações saberão do que falo ainda melhor. Saberão que qualquer fixação pode ser reveladora demais, e usam esconderijos. O decorativismo tem por isso sido cada vez mais abordado por um conjunto de produtores portuenses não como o que o seu próprio nome indica, mas como um arranjo, aparentemente fútil, que se arma de pequenos signos que, mais que seleccionarem à partida o público, o agarram dentro dos interesses dele próprio. Os pormenores dizem agora respeito ao cerne da mensagem porque o objecto do criador do conteúdo ornamenta-se cada vez mais profundamente. Ainda assim a responsabilidade está nestes meandros tanto no emissor como no receptor. O receptor, que não deve apenas reclamar a informação como um direito (apesar de o ser) mas deve antes compreender o processo como um projecto conjunto do qual faz parte, pode contribuir para a criação de uma cultura auto-sustentável porque orgânica e fluída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-4192975458185459429?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/4192975458185459429/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=4192975458185459429' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/4192975458185459429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/4192975458185459429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2006/12/os-fenmenos-mainstream-so-um-sub.html' title='&lt;b&gt;Desenvolvimento de um texto anterior&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-2820892512932641007</id><published>2006-12-28T10:05:00.001-08:00</published><updated>2007-01-02T07:27:02.594-08:00</updated><title type='text'>Neo-Emo: Rebenta-lhe as dobradiças com a Lasergun</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/j54_cyMB5-E" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;Para começar:&lt;br /&gt;Há cidades que criam movimentos e outras que os replicam. O mimetismo é uma inegável ferramenta de aprendizagem, mas o mais músico é mais pedagogo. Por isso aqui não temos lata para editar exercícios e criámos uma cena da qual nos orgulhamos. &lt;br /&gt;A baixa do Porto foi a capital da Nova Emoção enquanto a de Lisboa é uma seca de importação ão ão porque os putos de lá ainda parecem os velhos da Alemanha. Porque ainda há quem nos desdenhe por sermos uma cidade em infância...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/47/159123484_55455f5c43.jpg" width="500" height="375" alt="DSC05344" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/66/159124327_cdfb5f1df5.jpg" width="500" height="375" alt="DSC05378" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/44/172399956_966b753531.jpg" width="500" height="375" alt="Imagem0082" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/52/159118981_40deaed658.jpg" width="500" height="375" alt="DSC05078" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-Um festa verde a chorar.&lt;br /&gt;2-Se há pessoas que são pagas para contar segredos, porque é que não os posso eu dar?&lt;br /&gt;3-Qualquer dia esta merda arrebenta tudo.&lt;br /&gt;4-Times New Roman.&lt;br /&gt;5-Cool! Nice &amp; Practical!&lt;br /&gt;6-A arte não se ensina, aprende-se.&lt;br /&gt;7-Não teve graça.&lt;br /&gt;8-Coisas nas casas dos outros.&lt;br /&gt;9-UAU!&lt;br /&gt;10-Bom dia às 11 da noite.&lt;br /&gt;11-Dizer mal é uma arte. Dizer mal de quem diz mal é artesanato.&lt;br /&gt;12-Não dou a vida por ninguém excepto pelo meu irmão.&lt;br /&gt;13-Eu faço o que quero com o meu cabelo...&lt;br /&gt;14-Faz com a minha outra mão.&lt;br /&gt;15-Isto é muito artístico!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;por vários autores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a performance de André Sousa "Conferência: a rápida raposa castanha salta por cima do cão preguiçoso", onde foram explanados de modo formal os contextos histórico-socio-culturais que envolveram e vão envolvendo esta geração, que muito se tem dito em relação ao movimento Nova Emoção. O abalo inicial que sentimos depois daquela performance/conferência transformou-se de modo urgente numa mais apurada consciência daquilo que estamos a fazer. Era inevitável.&lt;br /&gt;Por outros termos, todas as discussões sobre o movimento, realçaram a nossa essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nos meandros de algumas das minhas conclusões que vou discorrer acerca da Nova Emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="440" alt="heidotmark" src="http://static.flickr.com/102/307886905_503896dd33.jpg" width="440" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais, parece-me importante afirmar. Afirmar por exemplo com coragem e consciência que vamos tentar apagar este lume brando com gasolina! Assim, por exemplo... uma das diferenças entre a Nova Emoção e os movimentos modernistas, é que os do início do século foram muitas vezes nomeados a posteriori, com ironia, irritada pelo conteúdo óbvio das cenas. Nós não tínhamos mais que uma faixa áudio produzida em 2001 chamada El Hit. Uma mão cheia de minutos musicais não fazia um movimento. Sabíamos disso e fomos a pouco e pouco enchendo o termo de carga simbólica com pequenos objectos, com músicas emotivas, posters espectaculares, desenhos grotescos, afirmações robustas, actuações amadoras, pinturas graciosas, coreografias rápidas e outras artes bem bonitas. Ensaiámos o nosso gosto e com isso recriámos o de alguns outros. Penso que de todas estas áreas, as que se encontram mais desenvolvidas, as que de momento criam mais produtos/ilustração da Nova Emoção, são o design gráfico e a música. Já seria possível manchar muitos píxeis dum qualquer blog com teoria aprofundada sobre isso, coisa que não tentarei fazer agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho também que ela pode ser o fim assumido do pós-modernismo. A Nova Emoção. Porque até pode bem ser! Contradiga o discordante, mas antes passo a explicar a minha estória da História:&lt;br /&gt;Acho que a Nova Emoção nasce com atitude consciente. Consciente de que se está a fazer História em tempo real. Porque esse ramo não passa de um conjunto marcações, ela só existe porque é uma gravação/tradução humana da realidade vivida, e há vidas muito diferentes. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ainda há História.&lt;/strong&gt; Porque ao contrário do que o ícone da cultura pós-moderninsta pensava, não é difícil ficar gravado. Só 15 minutos seriam um luxo. Agora é doutra História que falo, é noutra que vivemos e, se tudo fica enunciado, não é despropositado acreditar que as ferramentas multimédia disponíveis ao cão de Pavlov dessacralizam o próprio conceito de História. O anonimato será cada vez menos pelo nosso tempo em frente. "Eu quero 15 minutos de anonimato", diz que disse. Por enquanto é possível, mas penso que por pouco tempo. Assim decidimos contar as coisas à nossa maneira. Estamos a brincar aos movimentos e grupos de artistas porque já estamos um pouco nisso e construímos à nosso volta um mundo de representações bués da contemporâneas, a nossa coisa, é a coisa. Digo brincar porque como num jogo respeitamos as regras. As das vanguardas de há cem anos e as de há 10 anos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os mercados estão a mudar porque os meios estão a mudar e parece-me que a cada MySpace criado, a cada NetLabel, a cada Opensource coisa, a cada dia que passa se reduzem as possibilidades de Hits... A massa tornou-se crítica e menos massa. De hoje em diante começam os útimos dias da história massificada. Da corrente principal absorvente, como diziam os velhos do restelo o Pop é finalmente alternativo e cool. Prova disso é que hoje eu não vi o mesmo programa que tu, nem ouvi a mesma música que tu. Nos 80's toda a gente ouvia Michael Jackson pelo menos uma vez por dia. "10 Milhões de discos vendidos na primeira manhã!" Querias... As redes culturais estão num período de adapatação e as maiores já começam a ser nichos de 20.000, ou 100.000 mil. Auto-sustentáveis. Lá chegaremos...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos dias que correm, por incrível que possa parecer, quando se fala em formação cultural, na rádio e na TV, imprensa, etc., pensa-se logo em teatro, música clássica, romances literários, entre outras coisas extremamente particulares aos hábitos de classes urbanas instituídas por centenas de anos domínio social. Apesar de reconhecer que o pós-modernismo recorreu à cultura popular, também reconheço que não considerava esse lado aparentemente banal da vida, laboratório/campo de trabalho e acção. Nós sabemos que vamos conseguir que a pista de carrinhos de choque, os CD-ROMs, toques reais e polifónicos sejam das primeiras coisas que venham à cabeça duma pessoa normal ou anormal quando utillizarmos a expressão: formação cultural: significando construção de cultura. Podem dizer para aí à vontade que isto já foi feito, pela Madonna por exemplo, (é com 2 Énes não é?) que surgiu dentro dos domínios da "cultura de ponta", alternativa, desconhecida, que tocou como performer no Studio 54 e que agora é Diva Pop (qual disco!) regente do barco que navega a corrente principal e que nós somos só parte de mais um ciclo, não passaríamos de coisa menor. Como menor? Como menor se só ela, e mais ninguém, é que é?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A Nova Emoção não servirá para engrandecer aquilo que já se sabe o que é, mas também não servirá para deitar abaixo todo o instituído. Ela faz-se mais dos momentos de que vamos gostando mas que não têm grande nome, ou que não têm força para existirem enquanto cultura. "A verdadeira revolução não consiste em derrubar os que caminham, mas antes em levantar os prostrados ou qualquer coisa assim parecida."&lt;br /&gt;A Nova Emoção é o gel que agrega estes pequenitos clubes jamba num penteado cool, numa de-coração aparentemente supérflua, numa falsa leveza que deixa o &lt;i&gt;homem de cultura&lt;/i&gt; incomodado. Atenção caríssimos estranhos, não gostamos só de coisas consideradas foleiras nem gostamos todos das mesmas coisas. No entanto, na cultura contemporânea, não existe terreno mais fértil que o popular. É uma zona maléavel, de memória curta e sem catálogos, porque quem nela actua e quem a mais usa não costuma ter formação clássica, não sentindo directamente a pressão que os meios de comunicação exigem ao produtor de informação e entretenimento. Os avanços tecnológicos sentidos nas últimas décadas (final de anos 80, anos 90 e início dos 00's) permitem que se comunique como se não valesse a pena. Pergunta o astuto interessado: -Então, o que diferencia a Nova Emoção de um Emanuel ou duns U2?&lt;br /&gt;Respondo: -Contexto, consciência crítica, elos e acima de tudo público activo. Público participante, tido como igual consumidor/produtor/promotor de conteúdos... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois de Coimbra ficou claro que somos na grande maioria, de outros sítios que não o Porto. Estudantes do ensino superior que não fazemos o habitual percurso do secundário, escola-casa-casa-escola, mas que ao invés nos fomos juntando em horário pós-laboral, como novas famílias. Compreendemos definitivamente que o Kids não é um dos nossos filmes de referência mas que um Querida encolhi os Miúdos, ou um Regresso ao Futuro 2 cumpriria melhor esse papel. Somos agora conterrâneos, co-existentes, comunicativos por necessidade e por vontade. Amigos preocupados uns com os outros, conscientes estamos a criar discursos "A NE revê-se no homem cosmopolita, apreciador quer de cocktails e inaugurações, como de tascos e cartadas." Praticamos pirataria porque somos contra a contenção de informação, e porque acreditamos que ela deve estar disponível a todos.&lt;br /&gt;Também se diz no café: "Se quiseres espicaçar um gajo normal sem irritar um criador, chama imbecil ao criador, se quiseres irritar um criador sem irritar o gajo normal, diz-lhe que criaste um movimento". Como o Jazz, que se desenvolveu com imensos sub-movimentos (New Orleans, Swing, Bebop, Hard Bop, Cool...) dentro da mesma linguagem mãe, a Nova Emoção Porto já tem contra-sub-sobre-movimentos, Há aí uma certa tendêcia, Pimba Supersónico, Power Pop, Nova Fase, Lusitanó-espacial... Uns vão-se encher de significado outros ficarão pelo nome. O importante é que sabemos que estamos a abrir caminho porque nos sentimos livres, como qualquer artista ponta-de-lança deve ser. Já McCoy Tyner, pianista no quarteto de John Coltrane, quando questionado se sabia a importância do que estavam a tocar nos anos 60, respondeu que sim. Sem isso não há coragem, há só virtuosismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="375" alt="back" src="http://static.flickr.com/139/325272726_dde41398d0.jpg" width="500" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Coimbra também se citaram intérpretes, porta-vozes da Nova Emoção. Ofereceram-se Bongos e fez-se uma corrida à Tom Sawyer, disseram-se coisas através das quais, nos fomos elucidando, falou-se no Renault 5, e no Power Point. Curiosamente não se ouviu uma única música e foi aí que tudo começou. Hoje posso dizer que Nova Emoção é um adjectivo tão válido como a Arte. Próprio do Neo-Emotivo é já a frase: Istaqui é muitartístico. Bué da Arte! Bem fez quem ficou em casa no sábado a ver o Regresso ao Futuro 2, quem deve ter compreendido mais um pouquinho sobre isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Thanx 4 the Add!&lt;/b&gt; Eles lá chamam à Nova Emoção, Electrónica-Euro-Crunk-Disco-Break-Beat-Electro-Pop. Estúpidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parafernália gráfica é outra vez pós-modernista, falando com a forma sobre a forma, desengane-se o amador do sentido desregrado do termo. Muitas cores, desenvolvimentos divertidos das pretensões normativas que decorreram dos movimentos quadrados do início do século, intuição no regresso ao desenho, tipografia cuidada... Em suma, uma gama de utensílios visuais que não se faz bem com desbunda acrítica, mas que ao invés, depende de uma rica memória imagética e de uma imensa dose de conhecimento histórico do Design, entendido enquanto disciplina criativa e parte integrante da construção da cultura. Ao mesmo tempo que a Nova Emoção se tenta impor como o primeiro movimento artístico urbano caraterístico do Porto, representativo de um estado de espírito duma cidade em plena infância, Paris e Londres, para espanto dos casmurros que desvalorizam a importância da nossa querida e periférica cidade, também se vestem das mesmas cores globais traduzidas às suas idiossincracias. Os meninos crescido e menos crescidos que forem das lá net-salto vão atirar o esperado para o ar: "Mas lá é que é mesmo a sério". A esses uma cuspidela é perda de saliva. " I spit in yo face", avante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos copiam nem nos idolatram, nem nós lhes vestimos a pele. Já os vamos conhecendo melhor do que eles a nós, mas que outra coisa seria de esperar se nós nem sequer fomos fixados, comentados ou apenas citados em nenhum suporte mediático nacional ou local. Lá também trataram de criar a banda sonora para os seus próprios cartazes, para os seus vídeos e códigos de indumentária. Depois da assunção das limitações ferramentas dos anos noventa, os primeiros cinco anos dos 00's aparecem pintados em gradação cromática, simulações de tridimensionalidade, representações de sombras e criações (apenas e só) aproximadas à difusão de luz real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As linhas gráficas ou os logos do Google, da Apple, MacOS Panther, Windows XP, Tiger, Macromedia Studio MX, Adobe CS, Big Brother, entre outros tantos milhares, reflectem a nova presunção de encantamento visual. Poderemos então encarar a coisa como apenas mais um renascer do gosto? Será que isso é suficiente? Eu acho que não. Eu acho não porque há mais na vida que a rendição aos terminais de recepção de informação. Que me adianta gostar muito da música dos parisienses, se não posso lanchar com eles daqui a pouco, ou se me é difícil trocar amostras audio com eles? É precisamente aqui que nós conseguimos manter o movimento fora dos grandes mercados da música. O que não é só bom, porque assinar contrato com a Virgin resulta quase sempre em meios materiais e financeiros para produzir mais e melhor. Assim nós estamos a fazer tudo de raíz: música, editoras, sedes, estúdios, distribuidoras, design, arte, público, enfim, movimento.&lt;br /&gt;De volta a Paris, Londres e Nova Iorque... via web ...numa viagem aos sítios certos do Myspace e encontramos os amigos, filhos de Daft Punk, entre aventuras locais e o mercado global, aquele que também é fez a nossa estética. Surkin, Teki Latex, Para One, Tacteel, Lo-Fi-Fnk, Feadz e a Uffie, o NiYi, a Cassette Playa... A música rende-se ao clube de dança, pensada para funcionar tanto a pares como a três ou quatro ao mesmo tempo, orgias de som. Mas das já banais reinvenções do Disco, nos "one man shows" sobressai o pensamento de dança individual, com bases na construção de música para raves, música cerebral e física, tudo com um toque de choro entre sorrisos e muita Pop, Pop, Pop. Se eles são as crianças dos 90's nós somos os pré-adolescentes dos 00's. Vale a pena espreitar. "Ha mas eles é são, e tal..." -I spit in your face and you still owe me saliva.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/cassetteplaya"&gt;Cassette Playa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/tekitek"&gt;Teki Latex&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;friendid=12176337"&gt;Para One&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/surkin"&gt;Surkin&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;amp;friendid=28475615"&gt;Ed Banger&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;friendid=123921745"&gt;Fluokids&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Oh my god there's a riot in Belgium and I don't wan to go to your house no more, cause it's the same shit again, every single night. hmmm...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes, quando me tratam menos bem, começo a pensar que devia deixar as pistas de dança entregues aos technos alternativos e electro-houses do costume e deixar de me chibar todo.&lt;br /&gt;Agradeçam e saquem aqui aqueles 8 megas de MP3 de Ana: &lt;a href="http://www.soundclick.com/bands/songInfo.cfm?bandID=349527&amp;amp;songID=4661679"&gt;Isto Não é só Pimba&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et voilá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pub: Compra bem! Compra Muito! Compra Ástato! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-2820892512932641007?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/2820892512932641007/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=2820892512932641007' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/2820892512932641007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/2820892512932641007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2006/12/neo-emo-rebenta-lhe-as-dobradias-com_28.html' title='&lt;b&gt;Neo-Emo: Rebenta-lhe as dobradiças com a Lasergun&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1774006709576655241.post-351814472263032756</id><published>2006-12-27T12:25:00.000-08:00</published><updated>2010-01-26T17:36:16.755-08:00</updated><title type='text'>Digital Music and Commerce (First Edition)</title><content type='html'>A text documentary by João Marrucho. 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The most recent events in music industry and all other cultural content production, editing, and distribution have tended to use legal means trying to control the way information and ideas spread. In 1998 the Digital Millennium Copyright Act (DMCA) was written in the United States of America in order to up-date the existing regulation for this mechanisms.&lt;br /&gt;The spread of personal computers has allowed to the common user to intervene directly on this processes. The effort to maintain an equilibrated market (that ruled over the last century) has turned illegal what was before a civil right. Now, instead of the fair registration obligation created during the industrial revolution users are also forbidden from changing the product as if they were the cemetery for the information. What's happening?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;The Big Idea or The Big Deal?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="361" alt="Toshiba_2510" src="http://photos17.flickr.com/21749981_ed7369a527.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In the 1970's decade, photocopiers spread, and alerted the book industry to a problem they didn't have to face before. People could possess the information contained on their books, magazines and newspapers writing, editing, design and distribution. This new sense that the idea duplication was now in other hands, that not the ones from the publisher, originated a conservative copyrights movement that didn't stopped until now.&lt;br /&gt;Sony Betamax case, in 1984, was an important judicial moment that made video reproduction a common practice. In that situation, Universal City Studios sued Sony for creating a recording object that had more illegal uses than legal purposes. Sony's lawyers, supported their argumentation turning the responsibilities to the Sony user. Although Universal City Studios had documents proofing the opposite, the court ruled in favor of Sony.&lt;br /&gt;Like guns are sold, so can video recorders and blank video tapes be.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="460" alt="betamax" src="http://photos17.flickr.com/21749979_2f95a613f1_m.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;The DMCA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Digital Millennium Copyright Act is a USA treaty that turns into criminal act "to distribute, import for distribution, broadcast or communicate to the public, without authority, works or copies of works knowing that electronic rights management information has been removed or altered without authority". It also holds responsible for such, the Internet Service Providers and software providers that can access the user information. And now, they all can. USA Congress has given copyright holders expanded powers similar to those granted to government officials under the USA PATRIOT Act. This means that whether or not you use peer-to-peer file-sharing programs, the recording industry (or anyone who claims to be a rights-holder) can easily gain access to your personal information, without a judge's oversight.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despite this intents, DMCA castrates a giant amount of scientific researches on mathematics, software, and many other multi-media areas. By banning all acts of circumvention, and all technologies and tools that can be used for circumvention, section 1201 grants to copyright owners the power to unilaterally eliminate the public’s fair use rights. Already, the music industry has begun to deploy "copy-protected CDs" that promise to reduce consumers’ ability to make legitimate, personal copies of music they have purchased.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This kind of protective measures are taking place at the same rate that the worldwide web users work in the opposite way. Open source software, freeware, peer2peer, weblogs, and many other private sites are working hard, and maybe faster, to keep creativity out of this chains.&lt;br /&gt;Opsound, for example, is an experimental record label and open sound pool organized through the opsound.org website. Opsound explores the possibilities of developing a gift economy among musicians, borrowing from the model of the open source software community. Most younger musicians would think that there is no way for making a living out this. The big music companies are, in fact, living a selling crisis. But there is a way to outcome all the small difficulties that made them so conservative. Take Universal City Studios, that stood against Sony blank video tapes, as an example. Universal City Studios increased its business volume from 5 million dollars to approximately 18 million dollars by selling the same technology they sued 20 years before. We can make an analogue analysis for the recent developments. Electronic Frontier Foundation has provided a list of ways to make business without neglecting the fair use of copyrighted material:&lt;br /&gt;I'll pass it along:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Voluntary Collective Licensing&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;It sounds obvious: major labels could get together and offer fair, non-discriminatory license terms for their music. This is called "voluntary collective licensing," and it has been keeping radio legal and getting songwriters paid for 70 years. It protects stations from lawsuits while collecting payment for the songs they play. (...)&lt;br /&gt;Individual Compulsory Licenses&lt;br /&gt;If artists, songwriters, and copyright holders were required to permit online copying in return for government-specified fees, companies could compete to painlessly collect these fees, do the accounting, and remit them to the artists. The payment to each artist need not directly reflect what each consumer pays, as long as the total across all artists and all consumers balances. (...)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ad Revenue Sharing&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sites like the Internet Underground Music Archive, EMusic.com, Soundclick, and Artistdirect.com provide an online space for fans to listen to music streams, download files, and interact with artists. In the meantime, these fans are viewing advertisements on the site, and the revenues are split between the site and the copyright holders.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;P2P Subscriptions&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;P2P software vendors could start charging for their service. Music lovers could pay a flat fee for the software or pay per downloaded song. The funds could be directed to artists and copyright holders through licensing agreements with studios and labels or through a compulsory license. In 2001, Napster was considering such a subscription service. Recent attempts at a subscription service (such as Apple's iTunes Music Store) show that consumers are willing to pay for downloaded music.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Digital Patronage and Online Tipping&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Direct contribution from music lovers is a very old form of artist compensation. As content has moved to digital form, so has the form of payment. With an online tip jar such as the Amazon Honor System, artists can ask for donations directly from their websites, in amounts as small as one dollar or one euro.&lt;br /&gt;Patronage sites such as MusicLink have also emerged, which allow consumers to seek out the musicians and songwriters they'd like to support. Either way, consumers are given an easy, secure method to give directly to the artists they admire.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Microrefunds&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Brad Templeton introduced the interesting idea of making "opt-out" the default for paying for copyrighted works. The system, called "microrefunds," would collect small fees for each copyrighted work accessed and total them into a monthly bill.&lt;br /&gt;Charges that seemed too high or were for songs the consumer did not enjoy could be revoked.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Bandwidth Levies&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Several people have nominated ISPs as collection points for P2P. Every Internet user gets web access from an ISP, and most have a regular financial relationship with one as well. In exchange for protection from lawsuits, ISPs could sell "licensed" accounts (at an extra charge) to P2P users. Alternatively they could charge everyone a smaller fee and give their costumers blanket protection.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Media Tariffs&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Another place to generate revenue is on the media that people use to store music, also known as a "media tariff." Canada and Germany tax all recordable CDs and then distribute the funds to artists. In the U.S., they have royalty-paid recordable CDs and data CDs. It's difficult to pay artists accurately with this system alone, but other data (statistics from P2P nets, for instance) could be used to make the disbursement of funds more fair.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Concerts&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tried and true, concerts are a huge source of revenue for musicians. Some, like the Grateful Dead and Phish, have built careers around touring while encouraging fans to tape and trade their music. P2P dovetails into this model nicely, providing a distribution and promotion system for bands who choose to make money on the road.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Previous experiences have shown that there is the possibility for taking cultural products into the market without depending from a bigger system capable of supporting the musicians, video artists, software makers and by that helping not to invalidate free speech. For instance, Blender is an open-source software for modelling and rendering three-dimensional graphics and animations. Originally, the program was developed as an in-house application by the Dutch animation studio NeoGeo. The program was initially distributed as proprietary software available at no cost (freeware) until NaN went bankrupt in 2002. On July 18, 2002, a Blender funding campaign was started by Ton Roosendaal (creator of this program) in order to collect donations and on September 7, 2002 it was announced that enough funds had been collected and that the Blender source code would be released in October. Blender is now an actively developed open source program by the Blender Foundation.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As you can see there are many options available in the digital world to make sure that artists receive fair compensation for their creativity."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copyright legislation was created to protect and insure cultural evolution and yet, it is turning against its original purposes. Some, as the anti-copyright movement, refuse to debate more than the nature of ideas. The classic argument for intellectual property is that protection of author and creator's rights encourages further creative work by giving the creator a source of income.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Those against copyrights suggest that intellectual property does not behave like material property.&lt;br /&gt;If someone gives you a physical object he may no longer have use or control of that thing, and may ask some payment in return. But when you give you an idea, you lose nothing. You need nothing in return.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In fact, the copyright law can be perverted to a ridiculous point. Some strange things happened due to this legal obligations:&lt;br /&gt;"The Eiffel Tower's likeness had long since been part of the public domain, when in 2003, it was abruptly repossessed by the city of Paris. SNTE, the company charged with maintaining the tower, adorned it with a distinctive lighting display, copyrighted the design, and in one feel swoop, reclaimed the nighttime image and likeness of the most popular monument on earth. In short: they changed the actual likeness of the tower, and then copyrighted it." Even more frightening, on July 6, 2001 Ph.D. student after giving a presentation called "eBook's Security — Theory and Practice", was arrested by the FBI as he was about to return to Moscow and charged with distributing a product designed to circumvent copyright protection measures, under the terms of the Digital Millennium Copyright Act.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Another curious case is the one from Negativland:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="732" alt="nobiz_cover" src="http://photos17.flickr.com/21749984_5c67a1f13e.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negativland is an experimental music and sound collage band which originated in the San Francisco Bay Area in the late 1970s.&lt;br /&gt;In 1991, Negativland released a single with the title "U2" displayed in very large type on the front of the packaging.&lt;br /&gt;The songs within were parodies of the group U2's well-known song, "I Still Haven't Found What I'm Looking For", and included extensive sampling of the original song. The song "The Letter U and the Numeral 2" features a musical backing to an extended profane rant from the well-known disc jockey Casey Kasem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;U2's label Island Records sued Negativland claiming that the "U2" violated trademark protection, and the song itself violated copyright protection. Island Records also contended that the single was an attempt to deliberately confuse U2 fans, then awaiting Achtung Baby.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Funds exhausted, Negativland settled out of court. Most copies of the single were recalled and destroyed. By the mid-1990s, rap had made authorized sampling more common in mainstream music, but the single "U2", for which Negativland did not obtain clearance to use U2 samples, is still illegal to sell in the United States, but is available for free download from Negativland's official web site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;U2 band members were not concerned with this subject and when contacted by Negativland, they even assumed not to know anything about the suing in process.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Public opinion counts, and what's happening in America will probably not happen in the rest of the world.&lt;br /&gt;Japan is a one in a million case. Knowing from its huge consume fever and market possibilities, big electronic enterprises like Apple or Microsoft are now selling MP3 at $4 per song. In USA and Europe the selling price is rarely above $1 or €1. This does not constitute a big surprise when we know that one in each three japanese consumers buys an average of 10.000 original CDs every year. Japanese young people even admit that downloading isn't a common practice. Most of them doesn't get from the web more than mobile ring tones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digital Music is now in the center off all this subjects and we may even consider its producers and distributors as the principal responsible entities for the new commercial forms for this business. Nowadays, editing contents has a new democratic meaning. Music in digital formats is in some cases being treated like on-line real-time updated information. Generative works are getting more and more common and lots of web-based platforms, like Opsound and Discogs, are following the Wikipedia models. Copy-editing is the new job that competes the new cultural contents providers to perform. DeeJaying, bootlegging and remixing are now the words for copy-editing in the music scene, and it's mission is as important, and maybe more pertinent, than the actual excess of original producers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Public domain&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1774006709576655241-351814472263032756?l=jamtexto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jamtexto.blogspot.com/feeds/351814472263032756/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1774006709576655241&amp;postID=351814472263032756' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/351814472263032756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1774006709576655241/posts/default/351814472263032756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jamtexto.blogspot.com/2006/12/digital-music-and-commerce-first.html' title='&lt;b&gt;Digital Music and Commerce (First Edition)&lt;/b&gt;'/><author><name>João Alves Marrucho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://farm1.static.flickr.com/148/329932206_942ee3c010_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
